Quando Thalassa desceu do altar, o ambiente ficou tomado por fungadas contidas e lágrimas discretas.
Embora não derramasse uma única lágrima, o olhar devastado em seu rosto e a sinceridade de suas palavras tocaram profundamente todos os presentes, provocando uma emoção silenciosa em cada um deles.
Todos, menos Karen, que continuava a encará-la com raiva do outro lado do corredor.
O clima sombrio na capela persistia enquanto Bridget se levantava, caminhando até o altar com passos hesitantes.
— Você foi minha chefe. — Começou, com a voz se partindo levemente. — Mas também foi minha melhor amiga. Uma mulher com um coração raríssimo, daquelas que fazem qualquer pessoa se sentir vista e valorizada.
Ela fez uma pausa, engolindo o nó que subia pela garganta.
— Amar com toda a intensidade era a sua essência, e perdê-la é como assistir uma luz se apagar neste mundo. Ainda assim, encontro algum consolo em saber que agora está em paz, em um lugar onde pode, enfim, descansar de tudo o que a vida jogou contra você. Você jamais será esquecida, minha querida senhora.
A sala mergulhou em um silêncio reverente, interrompido apenas pelos soluços abafados de alguns enlutados. Quando Bridget retornou ao seu assento, o padre voltou ao altar e ergueu a mão, pedindo que todos curvassem a cabeça.
— Senhor, oremos. Hoje nos reunimos para entregar Rita Blade aos teus cuidados e, ao nos despedirmos, pedimos forças para manter viva sua lembrança em nossos corações, seguindo o exemplo de amor, bondade e perseverança que ela nos deixou. Que sua alma encontre paz eterna e que tua graça console todos os que choram neste dia. Amém.
O padre então avançou e, com movimentos lentos e respeitosos, fechou o caixão. O som do trinco soou alto na capela silenciosa, provocando um leve sobressalto entre os presentes, seguido por fungadas e suspiros comovidos.
Kris, Alden, Zeke e Simon, um primo distante de Karen, levantaram-se com expressões graves e se aproximaram do caixão, preparados para carregá-lo, quando o grito de Karen quebrou o silêncio como uma lâmina afiada.
— Não! — Ela gritou, correndo até o caixão, porém os joelhos não a sustentaram, e ela se atirou contra a lateral, chorando de forma descompassada e desesperada. — Isso não é real! Não é ela! Não pode ser ela!
Os olhos dos presentes percorriam a cena em silêncio, atônitos, entre a pena e o desconforto, à medida que os gritos de Karen se intensificavam, os dedos agarrando o caixão como se fosse a única âncora para seu desespero.
— Ela não pode ter partido! Eu me recuso a acreditar!
Uma mulher entre os presentes, antiga amiga de Rita, se aproximou e a puxou gentilmente.
— Karen, querida. — Disse com a voz suave. — Eu sei que está sendo difícil, mas você precisa deixá-la partir. Ela se foi, meu bem. Agora precisa descansar.
Karen resistiu por alguns instantes, com seus gritos sacudindo o ambiente, mas por fim seus soluços foram diminuindo até se transformarem em respirações entrecortadas, permitindo que a conduzissem para longe, ainda trêmula.
Os carregadores, então, conseguiram levantar o caixão, e a procissão teve início. Kris seguiu na frente com o maxilar travado, carregando não apenas o peso do caixão, mas também o peso do momento, enquanto Thalassa vinha logo atrás. No fundo, ele sabia o quanto ela estava sofrendo e carregava uma culpa silenciosa por isso.
A procissão percorreu o curto caminho até o crematório, sendo acompanhada apenas pelo som abafado dos passos e pelos choros discretos dos que seguiam atrás.
O caixão foi cuidadosamente posicionado sobre a plataforma no crematório, enquanto o padre abria a Bíblia e começava a leitura:
— O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas, refrigera a minha alma...
Ele concluiu com uma breve oração, rogando paz para Rita e força para os que permaneciam, e quando os funcionários se aproximaram para prosseguir com o processo, o coração de Thalassa apertou-se fortemente, com a realidade tornando-se definitiva, sem possibilidade de retorno ou ilusão.
Um dos funcionários se dirigiu ao grupo com delicadeza na voz:
— Gostariam de presenciar a cremação?
Thalassa balançou a cabeça com firmeza, respondendo com um sussurro tenso.
— Não... Não, obrigada.
Imediatamente, sua mente foi invadida por lembranças do hospital… O sangue no corpo de Rita, o desespero da tentativa de salvá-la… E aquilo já era mais do que ela conseguia suportar.
Karen também recusou, com um leve movimento de cabeça, mantendo o rosto pálido e difícil de ler.
O homem então assentiu e explicou:


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