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A Luna Amada do Alfa Sem Coração romance Capítulo 256

Ponto de vista de Avery

O acampamento dos renegados era exatamente como eu imaginava. Desordenado. Barracas formando caminhos instáveis de lama e pedra. O cheiro de suor e sangue no ar.

Mas eu não esperava que fosse tão grande. Era mais do que um simples acampamento; parecia uma pequena vila. Tentei contar as pessoas enquanto passava, mas acabei perdendo a conta. Meus captores, liderados por Dierdra, avançavam rápido demais para que eu conseguisse entender muita coisa.

Só havia uma coisa que eu sabia com certeza.

Eu precisava sair dali o quanto antes.

Mas como? Eu estava em enorme desvantagem numérica. Os machos me encaravam com dentes irregulares e olhos famintos, como se já fossem donos de mim, as línguas saindo para umedecer lábios secos. As fêmeas me olhavam com raiva, como se já planejassem se livrar de mim antes mesmo que minha primeira noite ali terminasse.

Não. Sair correndo e lutar para abrir caminho não era uma opção, não quando eu estava completamente cercada de inimigos.

— Por aqui. — Dierdra ordenou, puxando a aba de uma tenda.

Aquela era muito maior que as outras e ficava no centro do acampamento. Dois guardas estavam parados do lado de fora. Um deles limpava a sujeira debaixo das unhas com um canivete, e o outro contava moedas nas mãos, que provavelmente tinha conseguido por meios nada honestos, mas ambos me observavam pelo canto dos olhos.

Os que me seguravam pelos braços me empurraram com brutalidade para dentro da tenda. Meus olhos levaram um momento para se ajustar, mas então eu o vi.

O Rei dos Renegados.

Ele estava sentado em um trono de madeira feito de galhos que se projetavam para fora, afiados nas pontas como lanças. Um feixe de penas pendia de um dos galhos perto de sua cabeça. A pele de um lobo cobria o assento. Um rosnado se formou na minha garganta ao ver os olhos vidrados do animal morto me encarando entre as pernas do renegado. Aquele lobo merecia mais respeito do que virar capa de cadeira.

O restante da tenda era mobiliado com luxo. Havia uma grande mesa hexagonal com um mapa aberto sobre ela e várias peças de formatos diferentes espalhadas como em uma péssima partida de xadrez. Tapetes cobriam o chão, alguns feitos de peles de vários animais, outros claramente roubados. Uma fogueira ficava mais ao lado, e o cheiro de carne fresca vinha de uma panela que uma velha mexia.

Do outro lado, havia outra aba de tecido, ligeiramente aberta. Dava para ver uma cama ali dentro, coberta de peles e travesseiros.

— Venha para frente. — Ele chamou.

Os guardas me empurraram em sua direção. Tropecei, mas não caí. Eu me recusei a cair.

Ergui o queixo e observei o chamado “rei”. Ele se apoiava preguiçosamente em um dos braços do trono, olhando para mim com seu único olho bom. Os machos ao redor dele estavam sujos e vestidos com couro manchado de sangue antigo, mas ele estava impecável. Limpo. Arrumado. Quase meticuloso demais.

— O que você quer de mim? — Sibilei. — Ou me convidou só para tomar chá?

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