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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 114

(Ponto de Vista de Kennedy)

Enquanto observava as crianças, soube exatamente quando Bennet me encontrou. Talvez minhas suspeitas não estivessem tão erradas assim… Eu conseguia sentir a presença dele no ar, como aquela pressão pesada que vem antes de uma tempestade. A sensação vinha empurrando contra mim, direto da direção onde ele estava escondido. Atrás de mim, um pouco à direita. Provavelmente atrás de alguma árvore. Eu nem precisava olhar para saber. Era constante. Sempre ali. Sempre observando. Só não perto o suficiente para ser reconfortante.

Então, de repente, algo me atingiu. Uma sensação que eu não sentia havia muito tempo.

Parei de respirar, pensando que talvez finalmente tivesse enlouquecido de tanto procurar aquela conexão desde que cheguei aqui. Assim, pisquei devagar, me concentrando na pressão que agora vinha do meu lado esquerdo. Logo em seguida o cheiro me alcançou. Alecrim e hortelã.

Ele estava ali.

Justo quando eu finalmente estava pronta para desistir dele… Ele apareceu.

Respirei fundo outra vez para conter um soluço, pisquei novamente e mantive os olhos fixos à frente. Eu estava dividida entre a necessidade de saber o que ele estava fazendo ali e o impulso de simplesmente sair correndo. Desde o incidente com Amy na sala de café da manhã, eu mal tinha trocado olhares com ele. E, depois de confirmar que não tinha sido fiel, eu não fazia ideia do que ele poderia querer comigo.

Pelo canto do olho, vi o enorme lobo negro sair da linha das árvores. Diante disso, inspirei devagar mais uma vez, sentindo o cheiro dele, e meu corpo inteiro relaxou quase imediatamente. De repente, me senti leve e tranquila. Então, quando o lobo se sentou ao meu lado, não consegui resistir e acabei me inclinando levemente contra o calor que irradiava do corpo dele.

O lobo Alfa não se moveu para olhar para mim. Apenas permaneceu ali sentado, aparentemente observando os filhotes. Ou, mais provavelmente, observando Bennet e meus guardas enquanto avaliava se estavam fazendo algo errado para depois repreendê-los.

"Perfeito… De novo isso."

E, no mesmo instante, minha irritação voltou com tudo.

No entanto, precisava mantê-la firme para lutar contra esse vínculo ridículo.

Logo, um grito alto de comemoração ecoou pelo campo, chamando minha atenção. Quando olhei, vi Emily correndo na minha direção.

— Você viu o gol? Kennedy, fala sério, você viu aquilo? Foi incrível!

Ela se jogou no meu colo, abraçando meu pescoço, e eu não consegui evitar a risada.

— Você viu? — Perguntou novamente, se afastando um pouco para olhar direto nos meus olhos.

— Foi incrível. Mas me conta direito, porque daqui de longe foi difícil ver.

Eu não fazia ideia do que ela estava falando… Já que estava ocupada demais prestando atenção no lobo Alfa ao meu lado.

Emily começou a narrar cada detalhe do lance, explicando como passou pelo Todd e pelas outras crianças e como conseguiu marcar mesmo cercada por três meninos enquanto nenhum dos companheiros de equipe estava livre. Ela ainda estava terminando a história quando, de repente, olhou por cima do meu ombro.

— Meu Deus! O Alfa! Você conhece o Alfa?

Soltei outra risada.

O Alfa olhou de mim para ela e depois voltou o olhar para mim, como se esperasse algum tipo de sinal. Só que eu não ia dar orientação nenhuma. Se quisesse interagir, ótimo. Se não quisesse, também era decisão dele. Eu não iria forçar. Afinal, aquela era a alcateia dele, não a minha.

A forma como os membros o enxergavam dependia apenas dele, e aquele momento dizia muito para aquelas crianças. Por muito tempo elas só o tinham observado de longe, cheias de admiração. E agora era a hora dele mostrar quem realmente era.

O lobo inclinou a cabeça, encostando-a na mão dela.

Em resposta, Emily soltou um pequeno suspiro surpreso.

— Ele é tão macio! Eu achei que fosse áspero… Tipo o rosto do meu papai.

Ela deu uma risadinha quando ele se inclinou mais e acabou empurrando-a ainda mais para dentro do meu colo. Nós duas rimos enquanto eu a segurava para que não caísse.

Então, ela segurou os dois lados do focinho dele e encarou aqueles olhos rubi profundamente.

— Você ainda é um pouquinho assustador. — Ela estremeceu, inclinando a cabeça. — Mas a parte assustadora ajuda você a manter a gente seguro, não é? — O Alfa abaixou levemente a cabeça dentro do aperto firme dela. — Então tudo bem. — Ela deu de ombros.

Logo depois soltou o focinho dele e saiu correndo até os meninos, que agora formavam um semicírculo observando tudo com olhos arregalados.

"Acho que aquela conversa estava encerrada…"

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