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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 279

(Ponto de Vista de Finn)

Ele se aproximou da abertura e entrou se arrastando. Eu ouvi algumas vozes abafadas vindo de dentro, mas preferi não prestar atenção. Sendo mais nova que o Gabriel, ela ainda era só uma criança, e eu não tinha a menor noção de como a mente dela podia estar naquele momento.

Fora meus amigos, quase nunca cruzamos com filhotes durante nossa jornada, e eu sempre achei que isso era porque casos como o meu e o do Sammy eram exceção. Mas, depois de ver essas crianças, comecei a me perguntar se não era porque muitos simplesmente não sobreviviam tempo suficiente para receber ajuda.

Ouvi um som leve atrás de mim assim que o Gabriel se acomodou ao meu lado. Quando virei, ele apenas deu de ombros, deixando claro que agora era minha vez. Arrisquei olhar, ainda que de leve, e acabei prendendo a respiração. Aquela coisinha minúscula estava encolhida como uma bolinha ao lado da entrada, me encarando de volta. A linguagem corporal dela gritava medo, mas os olhos diziam outra coisa. Eram verdes, intensos, firmes, quase desafiando qualquer um a se aproximar para ver o que ela faria.

Contudo, mantive meu corpo firme no chão e levantei a mão em um aceno.

— Oi. — Falei com suavidade. — Meu nome é Finn. Meus amigos, Seth e Samuel, foram ajudar o Landon e a Peyton a buscar lenha e comida. Eu estou aqui com o Gabriel. Quer sentar com a gente?

Ela apenas inclinou a cabeça, me analisando.

— Você é um cara bom ou um cara ruim? Porque a gente teve que se esconder de caras ruins.

A voz dela era segura demais para alguém tão pequena.

— Bom, a gente está aqui para ajudar vocês. Acho que isso faz da gente os caras bons, não acha?

— É... Mas os caras ruins também disseram que iam ajudar. — Ela abraçou as pernas com mais força.

— Disseram mesmo! — Gabriel entrou na conversa, e eu mantive meu foco nele sem tirar os olhos da Trinity. — Eles falaram que conheciam gente que queria crianças, e como a gente estava com fome e perdido, o Landon disse que a gente podia ir com eles…

— Mas eu ouvi eles dizendo que iam vender a gente. Eles não queriam ajudar, então a gente fugiu no meio da noite. E a Trin acha que eles vão voltar atrás da gente. — Landon apareceu saindo da mata com um monte de galhos.

— Então faz sentido ela estar com medo da gente. — Seth acompanhou ele até a fogueira.

— Bom, a gente definitivamente não quer vender vocês. O Alfa Ryker e a Luna Kennedy mandaram a gente vir aqui ver como vocês estavam e se precisavam de um lugar pra ficar por um tempo. — Fiz contato visual com os três.

— É... Mas os últimos caras também disseram que queriam ajudar. Como a gente sabe que pode confiar em vocês?

— Vocês não sabem. Mas podem confiar no instinto de vocês. — Foquei totalmente no Landon. Afinal, ele era o líder daquele pequeno grupo, e os outros seguiriam o que ele decidisse. — Eu perdi minha alcateia quando tinha seis anos, e precisei aprender a confiar naquela vozinha aqui dentro. — Toquei na lateral da cabeça. — Algumas pessoas eram boas, outras não. E nem sempre dá pra perceber só pelo jeito que falam ou parecem, certo?

Landon assentiu.

— Eu aprendi que, quando alguém me causava uma sensação estranha, o melhor era ir embora. Foi assim que encontrei a alcateia do Alfa Ryker e da Luna Kennedy. Eu ajudei ela, e eles disseram que eu podia ficar, se quisesse.

— O que você vai fazer? — Gabriel perguntou, apreensivo.

— A gente não pode cozinhar assim inteiro. Precisamos dividir em partes menores, senão não vamos conseguir comer por dias. — Samuel fez uma careta, e Gabriel soltou uma risadinha. — Podemos usar as garras dos nossos lobos, mas vai ficar bem bagunçado, então preciso da ajuda do Seth. Vocês podem preparar água? Vamos precisar limpar a carne também.

— Sim! Vamos, Landon! — Gabriel gritou.

— A gente só tem algumas garrafas de água. — Landon parecia desconfiado.

— Tudo bem. A gente usa o que tiver. Não trouxemos suprimentos porque não sabíamos do que vocês precisariam, nem se aceitariam ajuda. A gente se vira. — Disse Samuel.

E acho que foi naquele momento que ganhamos o Landon. Nós não tentamos separar eles, nem tirar do lugar. Ficamos ali, trabalhando junto com eles, no espaço onde se sentiam seguros, mostrando que podiam sobreviver ali mesmo, caso escolhessem não ir conosco.

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Senti um toque leve como uma pena na minha mão e quase pulei. Quando olhei para baixo, vi os dedinhos pequenos da Trinity entre os meus. Ela levantou o rosto, e os olhos verdes brilhavam.

— Eu quero ajudar…

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