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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 300

(Ponto de Vista de Finn)

Depois de algumas horas bem aproveitadas, voltamos pra dentro pra ver as crianças e tentar achar um lugar pra dormir. Para o azar do Bennet, ele acabou ficando com o sofá da sala. Ainda assim, não tinha muito do que reclamar, porque aquela casa da alcateia passava longe de ser como a do Ryker em Lua Sombria, que mais parecia uma mansão feita para abrigar cem pessoas.

No fundo, eu gostava daquele lugar. Tudo era usado da melhor forma possível, sem desperdício ou excesso. Logo, acabei adormecendo com a Greta encaixada entre mim e o encosto do sofá, enquanto pensava em todas as preocupações dela com as crianças… Que, sendo sincero, também eram minhas.

O vínculo que criamos com todas elas, mas principalmente com a Trinity, era diferente de qualquer coisa que eu já tinha vivido. Nem mesmo quando eu era só um filhote e a vovó me acolheu eu senti algo tão forte quanto sinto por aquela garotinha. E foi pensando no que eu queria para o meu futuro, agora que finalmente tinha conquistado a única coisa que sempre desejei… Um lar… Que eu me deixei levar pelo sono.

Meus sonhos vieram nítidos demais. Greta e eu caminhávamos de mãos dadas, enquanto a Trinity corria ao redor das nossas pernas em um campo aberto. As duas riam, sorrindo para mim. Então a cena mudou para o campo de treinamento, e, dessa vez, minhas duas garotas estavam ali também, não apenas observando, mas lutando ao meu lado, funcionando como uma unidade.

Trinity estava mais velha agora, com o fogo da Greta brilhando nos olhos, o cabelo castanho-avermelhado voando ao redor enquanto enfrentava um oponente após o outro... E eu não poderia me sentir mais orgulhoso da mulher que ela estava se tornando. Mas, então, tudo mudou de novo… E ficou mais escuro. O ar pesou, carregado de tensão, envolto por uma névoa azul-escura que não me deixava enxergar além de um braço de distância.

O silêncio foi rasgado por um grito. Contudo, não era a Greta… Eu reconheceria aquela voz rouca em qualquer lugar. Era a Trinity. Ela precisava de mim… De nós. Senti o pânico dela tomar conta de mim como se fosse meu, enquanto alguém tentava levá-la, e eu não conseguia alcançá-la.

Eu avancei, lutando contra nada além de névoa. No entanto, minhas mãos não conseguiram agarrar nada concreto. Meu peito apertou, a respiração ficou curta, pesada, como se meus pés estivessem presos em areia movediça, meus braços pesaram… Até que algo colidiu comigo, arrancando todo o ar dos meus pulmões. Então um calor começou a se espalhar do meu peito para o resto do corpo. E meus músculos relaxaram de imediato, à medida que uma onda de calor tomava conta de mim. Eu estava queimando… Literalmente.

Meus olhos se abriram de repente. Eu estava ofegante, mas imobilizado. Olhei para baixo e vi a Greta exatamente onde tinha adormecido, ainda ao meu lado… Só que, agora, parcialmente sobre mim. E, bem no meu peito, a causa daquele calor repentino… Uma cabecinha de cabelos castanho-avermelhados repousava exatamente sobre o meu coração, com o rosto virado de forma que quase tocava a testa da Greta.

No mesmo segundo, puxei o ar fundo, deixando o cheiro das duas preencher meus pulmões, e então caiu a ficha de que ela estava ali, segura. Ninguém estava tentando levá-la, e também não iam conseguir. Isso não ia acontecer… E, se aquele sonho servisse de alguma coisa, eu claramente não aguentaria nem a ideia de perdê-la.

— Você está bem? — Uma voz sussurrou atrás da minha cabeça, me fazendo sobressaltar. — Desculpa! Não percebi que você ainda não estava totalmente acordado. Deve ter sido um pesadelo e tanto… Estou surpresa que você não acordou elas com os seus rosnados.

Kennedy se moveu com cuidado para que eu pudesse vê-la sem perturbar minhas garotas.

"Minhas garotas…" Eu tinha pensado a mesma coisa no sonho… E gostei disso.

— Estou… — Soltei o ar devagar. — Foi só um pesadelo. Eu preciso descobrir logo se existem sobreviventes da alcateia dessas crianças. Eu odeio não saber se elas vão ficar de vez ou não… Porque, claramente, eu já estou apegado. — Fiz um gesto leve antes de envolver o braço ao redor da pequena encolhida no meu peito, puxando-a para mais perto, acomodando-a sob o meu queixo.

— Eu entendo. Eu comecei a ter pesadelos sobre todas as coisas ruins que podem acontecer com a Marcela praticamente no mesmo dia em que ela nasceu. Acho que é coisa de pais… Se preocupar com tudo e com nada ao mesmo tempo. — Ela sorriu, sentando na poltrona macia do outro lado da mesa de centro. — Então ela é sua…?

Não era a primeira vez que me faziam essa pergunta… E a resposta continuava a mesma.

— Sim… Eu acho que sim. Mas isso faz de mim uma pessoa ruim?

— Como assim?

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