(Ponto de Vista de Elara)
A expressão no rosto do Ben dizia tudo, ou melhor, dizia mil coisas, e a maioria delas eram xingamentos direcionados ao meu guerreiro. E, na real, naquele momento, eu até concordava com ele.
Eu não queria um companheiro agora, não antes de assumir oficialmente como Alfa dessa alcateia, porque não ia permitir que algum homem aparecesse achando que o que tinha entre as pernas o tornava melhor do que eu. Fora que a forma como ele passou o dia inteiro me seguindo, como se eu não fosse capaz de cuidar de mim mesma, já estava deixando meu temperamento à flor da pele.
Além disso, eu ainda tinha muitos machos na alcateia pra convencer de que eu era capaz de liderar, mesmo sendo mulher, e, com um companheiro ao meu lado, isso só tornaria tudo mais difícil de provar. Eu não queria aceitar o desafio do Dev, mas, ao mesmo tempo, talvez fosse útil colocar esse Beta no devido lugar e ainda somar mais um ponto na minha lista de "eu nasci pra isso".
— E aí, Beta? Vai encarar? — Sorri diante da expressão impassível dele, porque, no mínimo, ele era divertido de provocar. Me virei na hora e segui até um dos círculos de treino na grama, sem nem olhar pra trás pra confirmar nada, porque, no fundo, eu já sabia… O ego dele jamais deixaria ele recuar com todo mundo olhando.
No instante em que ouvi o rosnado, já girei o corpo para me alinhar melhor, e, reagindo no reflexo, me joguei para baixo e rolei para longe quando o Ben avançou sem hesitar.
No fim, o Dev tinha razão. Meus guerreiros eram bons, muito bons, só que fazia tempo que eu não encarava alguém com habilidade no meu nível e da minha idade. Quando a gente se chocou e se prendeu no corpo a corpo, deu pra sentir a velocidade dele, mas ainda assim não foi o suficiente pra me manter sob controle e impor dominância.
— Para de brincar com a comida antes de comer, Alfa. — Jax riu, mas foi o Beta que aumentou o ritmo.
Os golpes dele ficaram mais rápidos e mais fortes, e ficou claro que, até então, ele estava pegando leve comigo, ou sendo "gentil" só porque eu era mulher… O que me irritou na mesma hora, fazendo com que eu avançasse direto na garganta dele, nos derrubando juntos no chão.
Ele tentou me prender passando por cima, mas aproveitei a força do movimento, ergui o quadril e usei a perna pra inverter, lançando ele por cima. Logo depois, girei e me encaixei sobre o peito dele, travando os braços dele com as minhas pernas, enquanto meu corpo acompanhava o sobe e desce da respiração pesada dele. Os olhos castanho-dourados dele continuavam fixos em mim.
— Muito bem, vocês dois. — Meu pai interrompeu aquele jogo de olhares. — Mas acho melhor encerrar por aqui. Tivemos outro ataque.
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— O quê? — Saltei de cima do Ben, encarando meu pai, que, estranhamente, não parecia nem um pouco preocupado. — Por que não avisou antes? Por que deixou a gente perder tempo aqui? — Segui direto pra saída do campo de treino, já pensando em voltar pra casa da alcateia e colocar tudo em ordem, enquanto deixava nossos convidados com ele. "Pelo jeito, meu pai não estava tratando aquilo com a seriedade que devia…"
— Elara! Elara, espera!
— Não, pai. Isso não é mais um treino. Manda o Jeremiah e a equipe dele embora pra gente resolver isso sem distrações.
— Dá pra você parar, garota teimosa? — A voz dele ainda carregava um tom divertido, o que só me deixava mais irritada. "O que poderia ser tão engraçado?" — Você está indo na direção errada, inclusive.
— Como assim? Foi você quem falou que teve outro ataque. Eu tenho que voltar pra casa da alcateia e organizar tudo. Já estou farta de ficar o tempo todo em alerta.
Estávamos tão próximos que eu conseguia sentir o calor do corpo dele do começo ao fim. E, embora ele mantivesse as mãos no lugar, eu tive vontade de me inclinar, de me aproximar mais, de me encaixar ali... Então me lembrei. "Eu não queria isso… Não ainda… Não antes da alcateia ser minha de fato e de ter um companheiro disposto a ficar ao meu lado, e não assumir o meu lugar."
Afastei-me dele e olhei para o meu pai, que, de alguma forma, conseguiu permanecer completamente seco.
— Acho melhor levar todo mundo pra um banho quente e se arrumar, assim podemos discutir o que vocês encontraram. A Luna deixou o jantar pronto pra quando vocês estiverem com fome.
Foi só ele falar de comida que, na mesma hora, vários estômagos começaram a roncar.
— Podemos jantar no meu escritório enquanto discutimos. — Me virei e comecei a andar novamente, desejando que meus sapatos não estivessem fazendo aquele barulho encharcado a cada passo.
— Você já verificou o seu escritório hoje pra ver se tem dispositivos de escuta? — Ben perguntou logo atrás de mim, e o ar quente da respiração dele no meu ouvido fez outro arrepio percorrer meu corpo. Eu sabia que era natural e tudo mais, mas mesmo assim desejava não reagir daquele jeito. "Eu não deveria reagir assim. Ele não merecia ser iludido…" Meu corpo estava indo numa direção completamente diferente da minha mente.
— Pretendo fazer isso enquanto vocês estiverem se trocando para o jantar.
— Por favor, me deixe ajudar. Eu sou bom nisso. — Ele ergueu as mãos, como se estivesse se rendendo. — Eu não menti para aquele filhote. Que tipo de Beta eu seria se deixasse a Alfa se machucar? Você não precisa falar comigo nem me encarar, mas, se deixar a gente ajudar, meu lobo vai ficar mais tranquilo. Quem sabe assim ele até me deixa te dar um pouco mais de espaço… — O olhar dele era quase suplicante, em contraste com a tensão evidente na mandíbula.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...