(Ponto de Vista de Elara)
"O lobo dele… Eu nem tinha considerado que o lobo dele pudesse estar dificultando as coisas pra ele…" A minha loba também o queria, mas não estava lutando comigo pra ficar o tempo todo na presença dele, porque, no fim, ela queria o mesmo que eu: passar pela transição para Alfa sem colocar a alcateia em risco.
— Ok. — Resmunguei. — Meu escritório não é uma bagunça como o do meu pai, então não tem tantos lugares assim pra esconder coisa.
Ele nem chegou a sorrir, só assentiu e fez um gesto pra eu ir na frente. No entanto, continuou andando perto demais de mim, e eu sabia que, se abrisse a boca pra reclamar, estaria admitindo que ele me afetava… Então não ia dar esse gostinho pra ele.
Meu escritório ficava ao lado do do meu pai, e eu já sabia que, mesmo depois de assumir a alcateia, nunca ocuparia aquele espaço, porque aquele sempre seria dele. Ben foi direto ao trabalho e, como prometido, não disse uma palavra.
Eu comecei pela mesa, enquanto ele verificava as estantes, e, aproveitando a distância, passei a observá-lo. Ele era meticuloso, abrindo cada livro, examinando cada objeto decorativo que minha mãe insistiu em colocar ali. E, por um momento, me distraí com a forma como os músculos dele se moviam sob a pele, já que ele nem se deu ao trabalho de colocar uma camisa de volta, deixando cada linha definida do corpo exposta.
Eu tinha consciência suficiente para admitir que aquilo chamava atenção. Nada passava batido pelos olhos dele. Se eu estivesse interessada, diria que ele estava estendendo aquilo só pra ficar sozinho comigo, mas a verdade era que nenhum dos dois parecia querer esse vínculo. Meus motivos eram óbvios, mesmo que eu ainda não tivesse dito nada, mas o meu ego queria entender por que ele também não me queria.
Uma parte irritantemente juvenil da minha mente cogitou que talvez ele tivesse outra garota, e essa mesma parte ficou instantaneamente incomodada com a ideia. Afinal, todos eles ainda estavam no ensino médio, e eu lembrava bem dessa fase, em que todo mundo queria ser seu amigo e metade tentava ficar com você só pra dizer que conseguiu.
Lembrei do Jeremiah comentando sobre a irmã adotiva dele, que vivia sendo importunada por outras garotas só por andar com ele, embora também servisse como uma boa barreira contra as mais insistentes. Talvez Ben tivesse feito algo parecido, achando que ainda tinha tempo antes de precisar escolher.
Contudo, não havia marca nele, nem vínculo de acasalamento. Eu jamais admitiria isso em voz alta, mas conferi na noite anterior, durante o confronto... O cheiro dele era puro, sem nenhum traço de marca.
— Ei, Alfa. — A voz rouca dele me puxou de volta daquele turbilhão de pensamentos. Naquele instante, ele segurava um pequeno dispositivo e apontou para os lábios, pedindo silêncio. — Que horas você quer se reunir hoje à noite? Quero atualizar o Alfa Jeremiah.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...