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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 464

(Ponto de Vista de Ben)

Bem, se aquilo não soava ameaçador, eu já não sabia mais o que soaria.

— Então precisamos voltar para essa… Fenda?

Testei o nome na língua, percebendo como combinava perfeitamente com aquela ferida gigantesca aberta no chão, cercada por pedras posicionadas de forma quase ritualística. E, ao mesmo tempo, era um nome tão vago que ninguém fora da comunidade mágica faria ideia do que estávamos falando se escutasse aquela conversa.

— Vamos precisar protegê-la. É a única razão que consigo imaginar para Eliza ter ido tão longe. Ela é o nosso Santo Graal, por assim dizer. Aquela coisa mítica, mágica e absurdamente poderosa que transforma quem a controla em exatamente isso. — Briana respondeu em voz baixa.

Apesar do incêndio mágico ter acabado com tudo e separado o grupo dela mais uma vez, ela parecia muito mais calma agora do que da última vez que nos encontramos.

— Todo mundo foi retirado? Alguém verificou as partes da casa que ainda conseguimos acessar?

Eu não queria dizer os nomes em voz alta, mas estava torcendo para que a Deusa tivesse resolvido aquilo por nós. Ainda assim, precisávamos confirmar se Jeff e Drake continuavam respirando ou se agora tínhamos dois problemas a menos.

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— Não. Ainda não passamos deste cômodo. — Elara respondeu enquanto guardava a pedra no bolso.

Fiquei surpreso por Briana e Marietta não insistirem em ficar com aquilo, mas essa era uma conversa para outro momento.

Atravessamos cuidadosamente o cômodo inclinado, desviando dos destroços que haviam despencado das estantes queimadas. Quando Elara chegou até a porta, tentou empurrá-la e puxá-la algumas vezes, mas ela não se moveu. As dobradiças pareciam intactas, embora ninguém soubesse o que havia do outro lado.

Ela lançou um olhar por cima do ombro na minha direção, claramente pedindo ajuda sem precisar dizer uma palavra. Então segurei a maçaneta e, no mesmo instante, uma onda de calor atravessou meu corpo inteiro. A mão de Elara descansava sobre meu ombro, enquanto aquele calor percorria o caminho entre meus dedos na maçaneta e o toque da palma dela na minha pele.

— Que porr* é essa? — Murmurei.

— Algo que mencionaram antes e que eu resolvi testar. Você é um condutor de magia. E, se isso aqui realmente for o que pensamos… — Ela deu leves batidinhas no bolso onde guardou a pedra. — Parece que eu consigo usar magia enquanto estou com ela. Agora vamos abrir essa porta. — Ela piscou para mim.

A essa altura, eu já tinha perdido a capacidade de prever qualquer coisa quando se tratava da minha companheira. Ela não parava de me surpreender, e minha cabeça já estava completamente perdida no meio daquilo tudo.

No fim, apenas assenti, focando novamente na maçaneta e na magia correndo entre nós. Bastou um giro e um puxão para a porta soltar um rangido alto, com a madeira arrastando contra a moldura antes de bater violentamente contra a parede quando larguei a maçaneta.

No entanto, no instante em que a porta se abriu, fiquei em choque com a destruição do outro lado. Tudo estava queimado, reduzido a carvão. Aquele cômodo era literalmente a única coisa que ainda permanecia intacta. Qualquer pessoa presa ali durante o incêndio deveria ter morrido. Porém, depois de tudo o que passamos, eu já não aceitava conclusões fáceis. Precisávamos verificar nós mesmos e ter certeza absoluta.

— Briana, Marietta. Alguma de vocês sente algo que possa machucar a gente? — Perguntei por cima do ombro.

As duas levaram a pergunta a sério. Sem deboche, fecharam os olhos ao mesmo tempo e fizeram aquele negócio estranho típico das bruxas sempre que mexiam com magia.

— Não sinto nada vivo ali dentro, se isso ajudar. — Marietta respondeu calmamente.

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