(Ponto de Vista de Elara)
O ar estalou e crepitou, tomado pelo cheiro de ozônio que costumava surgir pouco antes de uma tempestade. Então, de repente, senti como se um peso tivesse sido arrancado do meu peito. Pela primeira vez em muito tempo, consegui respirar fundo. Meus sentidos estavam ficando mais aguçados, voltando pouco a pouco. A sensação de sufocamento provocada pela magia havia desaparecido, mas fiquei meio tonta. Aquela pressão durara tanto tempo que eu nem tinha percebido o quanto era pesada. O tum-tum constante do coração de Ben me embalava e, aos poucos, fazia meu corpo relaxar. Eu queria acreditar que tudo tinha acabado. Tudo indicava que tinha acabado, embora aquilo parecesse fácil demais para ser verdade. Mesmo assim, decidi aproveitar a mudança no ar e guardar aquele instante na memória antes que alguma coisa viesse tirá-lo de mim.
— Juliette! Juli-ette! — Ouvimos alguém gritar em meio ao barulho dos arbustos sendo esmagados. Logo depois, uma enxurrada de sons me atingiu com a mesma força que a magia de Eliza. De olhos fechados, deixei que a audição e o olfato me guiassem, apreciando pela primeira vez sentidos aos quais nunca tinha dado o devido valor. Jason parou com uma derrapada ao lado do nosso pequeno grupo, fazendo alguns torrões de terra caírem sobre mim. No entanto, mantive os olhos fechados. Não estava pronta para abri-los. Ainda não.
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Os rosnados e gritos tornavam quase impossível entender o que alguém dizia. Porém, uma coisa era certa: os arrepios que percorriam meu corpo inteiro. Eu tinha recuperado o vínculo com meu companheiro. Então me entreguei aos braços de Ben e deixei minhas emoções transbordarem. Nem me lembrava da última vez que tinha chorado por alguma coisa. Eu sequer tivera tempo de lamentar a morte dos meus pais. E, mesmo que quisesse, não conseguiria conter aquilo.
— Estou contigo, minha companheira. — Ele sussurrou em meu ouvido, e eu apenas me agarrei ainda mais ao seu corpo, enterrando o rosto em seu pescoço. Naquele instante, o cheiro quente e familiar dele era tudo de que eu precisava para me sentir amparada.
'Consigo sentir você de novo...' Solucei através do vínculo, agarrando sua camisa com mais força. 'Eu precisava disso muito mais do que imaginava.'
'Eu também, amor. Eu também.' Aquelas palavras fizeram uma nova onda de lágrimas escorrer pelo meu rosto.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
Nossa poderia ser bem melhor nunca vi o casal principal se jogado completamente de lado que loucura...
A história do casal principal para pela metade e não volta mais...
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...