Ponto de vista de Klaus
Um estrondo muito alto interrompeu minha conversa acalorada com Joseph. Eu me virei e nos entreolhamos em choque. O estrondo foi causado pela garrafa de vinho que ela deixou cair no chão.
Levantei-me e comecei a caminhar em sua direção para ter certeza de que ela estava bem. Contudo, ela se encolheu subitamente em um canto e escondeu o rosto atrás de suas mãos trêmulas.
“Sinto muito, alfa! Por favor, não me machuque. Escorregou das minhas mãos”, ela implorou com a voz trêmula.
Machucá-la? Por que diabos eu faria isso?
“Por que eu machucaria você por quebrar uma garrafa de vinho, Ella? Que tipo de monstro você acha que eu sou?”, perguntei com raiva.
Ella continuou olhando para mim através de seus dedos trêmulos. Ficou claro que ela esperava ser machucada porque tais ações eram tomadas por seu antigo alfa. Meu sangue fervia de raiva. Quantas vezes o desgraçado a maltratou assim?
Joseph se aproximou, ficou ao meu lado e disse gentilmente: “Ella, por favor, acalme-se. Ninguém vai machucar você aqui. Não somos nada como seu antigo alfa e beta. Tudo bem! Foi só uma garrafa de vinho”, ele pareceu chegar à mesma conclusão que eu.
Ella baixou as mãos, mas o grande medo expresso em seus olhos não diminuiu. Ella estava prestes a desmoronar. Mal conseguia se controlar, pois estava apavorada com outra coisa além da garrafa quebrada.
Joseph se ajoelhou e disse de modo gentil: "Tudo bem! Deixe-me ajudá-la a limpar isso. Você já tolerou muito hoje".
Ella o interrompeu antes que ele começasse, e ela mesma se colocou a recolher os cacos, dizendo enquanto evitava nossos olhos: "Não, está tudo bem, beta. Estou bem! Vou limpar isso sozinha". Ella tentou parecer calma, mas era apenas uma máscara, eu poderia dizer.
Eu a encarei por alguns segundos, analisando a situação desde o início.
Ella se levantou da mesa para pegar o vinho para nós e, quando voltou, estava tão assustada que deixou cair a garrafa. Não percebi quando ela voltou para a cozinha, mas algo me dizia que fazia tempo que ela estava lá. Tempo suficiente para ouvir parte da minha conversa com Joseph.
Meu coração entrou em descompasso. Ella estava apavorada porque sabia de algo. Ella mentiu sobre conhecer o serviçal?
“Tudo bem! Estou satisfeito. E você, Joseph?”, acenei para ele a fim de seguir minha liderança.
"Sim, eu também. Boa noite, Ella”, disse Joseph.
Nós nos viramos e saímos da cozinha. Fingi fechar a porta, mas a deixei um pouco aberta para ver o que ela estava fazendo.
"O que estamos fazendo agora, exatamente?", a mente de Joseph se conectou com a minha.
“Há algo de errado com ela, não percebeu? Ella tem medo de alguma coisa”.
“Sim, eu percebi. Mas por que estamos aqui parados olhando para ela como idiotas?
“Não sei! Tenho a sensação de que estamos prestes a descobrir o que ela está escondendo”.
Ella terminou de limpar o chão e começou a limpar a mesa. Seu rosto estava pálido. Tentava se controlar, mas, na verdade, não estava me enganando. Sou mestre em esconder meus sentimentos e posso descobrir instantaneamente quando outra pessoa está fazendo o mesmo.
De repente, ela saiu correndo em direção à porta dos fundos para chegar ao quintal. Abri a porta da cozinha e a segui. Ella estava ajoelhada no chão vomitando e tossindo.
Uma vez que seu estômago estava vazio, vi Ella soluçar e seu corpo inteiro tremer. Ella não estava mais conseguindo se controlar.
Expressando mágoa e preocupação, Joseph estava prestes a passar por mim em direção a ela. Levantei meu braço na frente dele para detê-lo e fiz sinal negativo com a cabeça.
“Espere um segundo, Joseph”, ordenei.
"Por quê? Por que isto está acontecendo comigo? Mas que diabos fiz na minha vida para merecer isso, pelo amor de Deus? Primeiro alfa Grey e agora alfa Klaus!”, ela gritou com raiva.
O que isso significa?
"Odeio vocês! Vocês três! Espero que estejam apodrecendo no inferno, seus desgraçados! Que diabos devo fazer agora? Vocês morreram e me deixaram aqui para lidar com isso! Eu não tenho nada a ver com isso. Como vou contar ao alfa Klaus agora?".
"Contar o quê, Ella?", perguntei em voz alta.
Algo me diz que minhas dúvidas eram verdadeiras. Ella conhece o serviçal.
Ella se levantou e se virou na nossa direção. Seu rosto estava pálido e seus olhos marejados. Eu não queria que ela tivesse tempo para inventar uma mentira.
"Fale!", gritei para ela.
Ella se encolheu e disse trêmula, mal podendo controlar seus soluços: “A pessoa que alfa Grey enviou para matar seu pai e companheira era meu pai. Seu nome era Bill Forbes. Para se proteger, alfa Grey mandou matá-lo imediatamente após o assassinato".
Eu até esperava que ela conhecesse o criado, mas o fato de ser seu pai me chocou profundamente.
Não consegui evitar o desgosto e a traição na minha voz: “E você sabia de tudo desde o começo, não é? É por isso que estava fugindo do bando. Você sabia que eu acabaria descobrindo. Deus, e eu acreditei em você como um idiota”.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Meio-Sangue
Quando sairá mais atualização?...