Ponto de vista de Ella.
A expressão em seus rostos era impagável, pois não esperavam minha resposta. Na verdade, eu não esperava dizer isso em voz alta para ninguém, exceto por causa daquele alfa idiota.
Limpei a garganta e tentei falar as próximas palavras em um tom monótono. Eu não queria sentir nada do que estava dizendo porque, se sentisse, desmoronaria completamente na frente deles. Sendo assim, mantive meus olhos baixos e fixos em minhas mãos. Não queria ver pena ou solidariedade deles por mim.
“Após algumas semanas da morte do meu pai, eu estava servindo o jantar para eles e, acidentalmente, quebrei a taça de vinho do alfa. Ele me deu um tapa e me levou para o seu quarto para me punir. Depois que terminou... ele tirou minha virgindade. Desde aquele episódio em que fui notada, ele me obrigou a ir ao seu quarto quase todas as noites e continuou fazendo a mesma coisa comigo repetidamente. Quando o alfa Grey ficava muito bêbado ou quando estava muito ocupado, seu beta Sam tomava seu lugar. O alfa Grey nunca soube que seu beta estava abusando de mim também. Fui ameaçada pelo beta Sam para manter minha boca fechada, e eu concordei. No final da noite, quem estivesse comigo me daria um pouco de seu sangue para que nenhuma cicatriz permanecesse em meu corpo. Mas quando o alfa Grey ficava fora por alguns dias, ele me obrigava a beber um pouco de veneno de lobo para que eu não me curasse até sua volta. Ele queria me causar dor, mesmo quando estivesse distante e impossibilitado de me machucar pessoalmente”. Em seguida, parei para respirar fundo e não me atrevi a olhar para eles.
Até o momento, ninguém havia dito uma única palavra, e eu continuei com o olhar fixo em minhas mãos. Mesmo fazendo de tudo para falar sem emoção, não consegui segurar minhas lágrimas.
Quando o silêncio ficou insuportável, prossegui. Afinal, já que ele queria toda a verdade, era isso que eu estava fazendo.
“Na cela da prisão, quando você me perguntou por que eu estava fugindo do bando, não contei toda a verdade. Você pensou que eu estivesse fugindo de você porque achava que eu soubesse quem havia matado sua família. No entanto, eu não sabia! Não sabia que meu pai havia sido enviado para o seu bando. Eu fugi porque, mesmo que o alfa e o beta estivessem mortos, eu temia que vocês dois fossem iguais ou piores a eles. Não queria mais viver assim”.
E continuei: “No quintal, quando você perguntou há quanto tempo eu sabia sobre meu pai, eu menti. Não ouvi isso do alfa e do beta atrás de uma porta fechada. Soube uma noite quando estava indo para o quarto do alfa, como de costume, e o encontrei bêbado demais para se mexer. Quando eu me preparava para sair do quarto, ele me chamou de volta e começou a me contar tudo sobre meu pai. Confessou que o matou, que o enviou para outro bando para matar o pai e a companheira do alfa, que não matou o alfa também porque queria que ele fosse quebrado antes de assumir o controle de seu bando com seu próprio poder e…”.
Subitamente, parei de falar, pois algo mais me veio à mente sobre aquela noite.
"E o quê?", questionou o alfa Klaus com determinação.
Desde que comecei a falar, era a primeira vez que olhei para cima e vi seu rosto. Não conseguia decifrar sua expressão com precisão, mas era uma mistura de raiva, mágoa e outra coisa que eu não compreendia.
“Acabei de me lembrar de algo sobre aquela noite. Talvez tenha sido a razão pela qual o homem tentou me matar. Depois que alfa Grey me contou sobre meu pai e aquele bando, perguntei se ele queria desabafar mais alguma coisa. Ele disse que odiava muito aquele bando porque seu antigo alfa havia tirado algo dele muitos anos atrás. Então, como retaliação, ele também pegou algo daquele bando em outra época. Antes que eu pudesse lhe pedir mais explicações, ele adormeceu e não pude arrancar mais nada dele. Depois daquela noite, ele nunca mais ficou bêbado daquele jeito”.
Respirei fundo novamente. O quarto parecia girar um pouco. Na verdade, eu queria que esse interrogatório terminasse para que eu pudesse voltar à escuridão em que estava antes de acordar. Minhas emoções mais tempestuosas ameaçavam explodir sobre ele por me forçar a falar do meu abuso.
Olhei para ele novamente e disse de forma esmagadora: “Isso é tudo que estou escondendo sobre os antigos alfa e beta. Mas é claro que você não acredita em mim. Então, vá em frente! Faça a conexão mental novamente para a verdade vir à tona. Pergunte-me se menti ou escondi algo de você. Pergunte-me se eu inventei tudo porque você não esperaria nada menos da filha de um assassino".
Vi arrependimento em seu rosto, a expressão que não consegui decifrar antes. Não esperava que ele fosse capaz de demonstrar tal sentimento. Isso me pegou desprevenida.
Ele abriu a porta e saiu sem dizer nada.
Sim, não se preocupe em se desculpar por ser um idiota ou algo assim, pensei.
Embora ele fosse obviamente capaz de mostrar arrependimento, era incapaz de pedir desculpas decentemente.
Olhei para o beta Joseph e o peguei me observando com tristeza. Ele tinha pena de mim e eu odiava ver alguém me olhar dessa maneira.
“Sinto muito que você tenha passado por tudo isso sozinha, Ella. Lamento muito que tenha sido forçada a falar sobre isso conosco contra sua vontade. Eu…".
Eu o interrompi com raiva: “Você não deveria ser o único a se desculpar comigo, beta. O alfa Klaus deveria ter vergonha por tudo que fez comigo desde ontem à noite no quintal. Na verdade, acreditei que vocês fossem os mocinhos, que tornariam tudo melhor para os mestiços. Finalmente estaríamos livres para fazer nossas escolhas! No entanto, ele é pior que o alfa Grey. Você sabe que o alfa Grey nunca se conectou mentalmente comigo? Mesmo quando ele tirou tudo de mim, pude lutar com ele. Ele tirou minha inocência, mas me permitiu lutar com ele. Afinal, ele poderia ter exigido que eu me entregasse completamente a ele com um simples comando, mas nem ele ousou ser tão cruel”.
Eu estava perto de desmoronar, mas não queria fazer isso na frente dele.
“Por favor, beta. Deixe-me em paz. Não quero mais falar sobre isso”, disse enquanto mantinha meus olhos fechados.
Ouvi a porta abrir e fechar. Abri os olhos e me vi sozinha, como sempre estive.
Não consegui mais segurar as lágrimas. Chorei incontrolavelmente. O que o alfa acabou de me forçar a dizer em voz alta me quebrou por dentro. Manter segredo do que aconteceu comigo tornava tudo suportável, mas dizer em voz alta era horrível demais. Era muito real.
Tentei parar meu choro, pois cada soluço fazia tudo doer mais. Queria muito não sentir nada. Queria estar entorpecida! Nada disso importaria então.
Do nada, a porta se abriu e alguém entrou. Era provavelmente um enfermeiro, a julgar por seu uniforme azul. Ele estava segurando uma grande seringa cheia de um líquido claro. Assim que vi, pulei da cama, agarrei a ponta do suporte de soro e apontei para o enfermeiro.
"Não chegue perto de mim", ameacei o enfermeiro, afastando-o para o canto do quarto.
Ele pareceu chocado com a minha reação, assim como eu. Não sei o que deu em mim, mas a seringa em sua mão me assustou. E se ele foi enviado por aquele cara para me matar? Tinha certeza de que agora ele deveria saber que sua tentativa não teve êxito.
“Não vou machucar você. É apenas uma seringa para fazê-la dormir para que sua recuperação seja mais rápida”.
Gritei assim que ele deu mais um passo em minha direção:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Meio-Sangue
Quando sairá mais atualização?...