Ponto de vista de Ella.
A morte era dolorosa. Eu estava tão desapontada. Deveria ter sido apenas pacífico. Ódio, mágoa, agonia, desespero, raiva, desesperança, não deveriam existir quando alguém morre. Deveria haver apenas coisas boas, como felicidade genuína e risos sem fim. Não me lembrava de ter rido depois que fiz dez anos e fui forçada a abandonar a escola para servir na casa do bando. Não me lembrava mais de como era sorrir, muito menos de dar gargalhadas! Só sabia chorar e gritar de dor. A morte deveria ser o começo de algo bom, como conhecer minha mãe finalmente. Poderia correr em sua direção para abraçá-la e sentir o seu perfume. Deus, nem sei o que faria para poder abraçá-la! Jamais deixaria que fosse embora, nem sequer por alguns meses.
Por que ela não está aqui comigo?
Por que até a morte era dolorosa como o inferno, a menos que…
Estou no inferno?
É por isso que não há nada além de dor e escuridão aqui?
Não, de jeito nenhum! Sempre fui uma boa pessoa. Não mereceria acabar no inferno. Nunca machuquei e nem matei ninguém.
Mas que diabos está acontecendo então?
Tentei abrir os olhos, mas nada aconteceu.
Os meus olhos já estavam abertos e realmente só havia escuridão aqui?
“Por que ela ainda não acordou?”,
uma voz masculina grave interrompeu meu ataque de pânico.
Eu reconheci aquela voz. Era do alfa Klaus. Por que ele estava aqui?
Estou no inferno? Sim, porque ele jurou que me causaria dor todos os dias!
Por que ele estaria envolvido no fato de eu acabar no inferno? Não era a decisão dele. Ele não poderia me sentenciar ao inferno quando eu morresse. Ele poderia me causar dor enquanto eu estivesse viva, não morta.
Foi quando percebi que eu não estava morta. Eu estava viva ainda. Por isso, estava sendo tão doloroso.
Minha respiração acelerou. Com todos os ferimentos que sofri, eu não deveria estar viva. Era impossível ter sobrevivido. Eu deveria estar morta!
"Algo está acontecendo",
era a voz de beta Joseph.
Deus, o que eles querem de mim? Eu não queria acordar. Queria ficar dormindo por toda a eternidade.
Percebi um sinal sonoro alto. Provavelmente era meu monitor cardíaco. Estava apitando cada vez mais, o que atrapalhava minha tentativa de voltar a dormir.
“Ella, consegue me ouvir? Abra seus olhos. Está tudo bem! Você está salva", disse o alfa Klaus gentilmente.
Salva? Sim, claro! Com você estou perfeitamente salva.
Não tive escolha. Eles sabiam que eu estava acordada. Abri os olhos lentamente e uma forte luz branca cegou minha visão. Pisquei várias vezes para conseguir focalizar.
Nesse momento, senti falta da escuridão. Queria muito voltar para onde eu estava.
Meus olhos se concentraram nas duas figuras paradas à minha esquerda, que olhavam para mim com preocupação.
"Você pode me ouvir?", alfa Klaus perguntou.
Abri a boca, mas apenas consegui choramingar.
Sentia dor por todo o meu corpo. Era tudo que eu podia sentir. Não conseguia me concentrar o suficiente em falar. Por isso, acenei ligeiramente com a cabeça.
“Ella, eu sei que dói. O médico vai colocar você de volta para dormir daqui a pouco. Mas preciso perguntar algumas coisas. É muito importante! Preciso que você se concentre e encontre sua voz”, o alfa Klaus disse gentilmente.
Tentei falar por vários segundos. Foram algumas tentativas, mas finalmente consegui dizer: “Dói demais!”.
Joseph fechou os olhos de dor, enquanto o alfa Klaus tentava me fazer concentrar nele: "Ella, quem atacou você?".
Imediatamente as memórias tomaram conta de minha mente. Lembrei-me de tudo. O homem enorme, nossa conversa, minha luta para salvar minha vida e o meu fracasso.
“Não sei o nome dele. Era um dos espiões do beta Sam”, sussurrei.
“Por que ele atacou você?”, insistiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Meio-Sangue
Quando sairá mais atualização?...