Flávia zombou internamente.
Com uma atuação tão boa, era uma pena Heloísa não ser atriz.
— Desculpe.
— Valentino, a Srta. Flávia parece tão pálida. Você não a forçou a vir, não é? — Heloísa disse com compreensão. — Eu já falei para você ser mais educado com a Srta. Flávia. Se ela não quisesse pedir desculpas, deixa pra lá.
Ela continuou: — Ela é minha irmã. Mesmo que não venha se desculpar, eu não a culparia de verdade.
Ouvir aquelas palavras de Heloísa deixou Flávia com um nojo enorme.
Nojento.
— Ela veio por vontade própria. — A voz de Valentino era suave, mas o olhar que lançou a Flávia carregava um aviso. — Não é? Srta. Flávia.
Flávia reprimiu a vontade de bater em alguém e disse entredentes: — Eu vim por vontade própria.
De um ângulo que o Valentino não conseguia perceber, Heloísa lançou um olhar de provocação para Flávia.
Flávia havia recusado com tanta convicção naquele dia, e no fim ainda teve que vir obedientemente pedir desculpas com o rabo entre as pernas.
— Minha irmã não tem sequer um sorriso no rosto. Pensei que não quisesse me ver.
Sua testa estava enfaixada com gaze branca. Sua voz era frágil e os cílios tremiam.
O olhar penetrante de Valentino disparou contra Flávia, e ela entendeu o aviso.
Ela forçou os cantos da boca para dar um sorriso, mas qualquer um veria que era forçado.
— Srta. Heloísa, me desculpe. — Ela aumentou a voz de propósito nessa frase, para evitar que Heloísa dissesse que não tinha ouvido só para atormentá-la.
— Valentino, estou com tontura. — Heloísa puxou a manga de Valentino e desabou em seus braços como se não tivesse ossos.
Ela lançou um olhar orgulhoso e exibicionista para Flávia. Ver a expressão insatisfeita, mas tolerante dela a divertia.
Ela estava de ótimo humor, mas mantinha a aparência fraca por fora.
Valentino estava tenso. Ele olhou feio para Flávia: — O que está fazendo parada aí? Chame o médico logo.
Flávia apertou o botão de chamada.

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