A avó a tratava bem, e ela também queria fazer algo por ela.
A empregada olhou para o papel nas mãos, leu o cardápio em voz alta e, ao terminar, esperou a resposta de Flávia um pouco nervosa.
Flávia franziu a testa ao ouvir os nomes dos pratos.
Aqueles eram pratos que a avó não costumava comer normalmente, mas pensou que, por estar doente, seu paladar poderia ter mudado, então não pensou muito a respeito.
— Eu entendi.
Flávia disse um endereço para o motorista ir buscar mais tarde.
A empregada concordou.
Ela limpou a mesa, desceu para comprar os ingredientes e, ao voltar, começou a preparar a comida.
Ultimamente, por causa da gravidez, as costas de Flávia doíam sempre que ela ficava muito tempo em pé.
Bateu na lombar dolorida e continuou ocupada na cozinha.
Mesmo com o exaustor ligado, o leve cheiro de gordura na cozinha ainda a deixava desconfortável.
Abriu a janela para ventilar e diminuir o cheiro, mas seu estômago continuava embrulhado.
Para sair logo da cozinha, Flávia ligou duas bocas do fogão ao mesmo tempo.
O cheiro de fumaça invadiu sua respiração; ela aguentou o máximo que pôde, mas acabou correndo para o banheiro para vomitar.
Lágrimas fisiológicas encheram seus olhos, e sua boca ficou amarga.
Lavou o rosto, enxaguou a boca e saiu do banheiro.
Meia hora depois, toda a comida estava guardada em potes térmicos; ela desceu, pegou o carro e foi para o local combinado com a empregada.
Assim que estacionou, bateram na janela do carro.
Era o motorista da família Monteiro.
Desde que fora encurralada por aquele homem feio no estacionamento, Flávia adquiriu o hábito de trancar as portas ao entrar no carro.
Ela destrancou o carro. — Está no banco do passageiro.
O motorista pegou os potes térmicos, despediu-se dela e foi embora.
Ela ligou o carro e voltou para casa, enfiando-se na sala de restauração para continuar trabalhando.

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