Rapidamente, ela voltou ao normal e devolveu a tesoura dourada ao recepcionista.
— Desculpe. — A voz magnética de Valentino soou de cima.
Flávia balançou a cabeça.
O apresentador concluiu a fala, e o corte da fita estava oficialmente finalizado.
Em seguida, veio o momento de interação livre.
Mal Flávia entrou no banheiro, ouviu o barulho de algo de madeira batendo contra metal.
Uma inquietação tomou conta dela. Ao tentar abrir a porta, percebeu que havia sido trancada por fora.
Ela já havia sido trancada no banheiro por Isadora antes. Aquele método familiar a fez suspeitar de Isadora na mesma hora.
— Isadora! Isadora! Eu sei que é você, abra essa porta logo!
— Flávia, eu te avisei naquele dia. Enquanto você não me desafiar, eu não farei nada com você. Mas você teimou em querer seduzir o Arthur. Eu jamais permitirei que isso aconteça!
Na visão de Isadora, Flávia sempre fora uma pessoa fraca, que aceitava ser maltratada.
Ela pensou, instintivamente, que a Flávia de agora era a mesma do passado.
Por isso, não teve o menor receio de expor sua própria identidade.
— Você entendeu mal. Eu sou uma mulher divorciada. Você acha que uma mulher de segundo casamento conseguiria entrar para a família Mendes?
As palavras de Flávia fizeram Isadora hesitar.
— Você é divorciada?
— Eu não tenho tempo de sobra para mentir para você sobre um divórcio.
— Mesmo que você e o Arthur não tenham nada, eu tenho que te avisar antes para que você não ouse mirar nele!
O som do salto alto foi se distanciando.
— Clique.
A porta do banheiro havia sido trancada por fora.
O toque do celular soou; era uma ligação de Pietra.
Ela deslizou o dedo para atender.
— Pietra, eu estou no evento de inauguração do Ateliê Esplendor...
Sem ouvir a voz de Pietra, percebeu que havia algo errado e olhou para o celular.
Ele havia desligado por falta de bateria.
Bateu com força na porta com a mão esquerda, um barulho contínuo por dez minutos, mas ninguém passou por lá.

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