— Quem?
— Flávia.
A sua dúvida foi respondida na manhã seguinte.
— Isadora, nos arquivos do Hospital Central de Santa Mônica não há nenhuma mulher grávida chamada Flávia.
— Irmão, você tem certeza? Nenhuma omissão?
— A Isadora não confia no irmão? — Uma risada leve saiu da garganta de Gabriel.
— Você sabe que não foi isso que eu quis dizer. — Isadora falou manhosa. — Eu entendi, obrigada, irmão.
Depois de desligar o telefone, trocou de roupa e foi à Galeria Noir.
— Olá, quem a senhora gostaria de procurar? — A recepcionista deu um sorriso cortês.
— Estou procurando a Flávia. Ela está?
— A restauradora Flávia está de folga hoje, não está na empresa.
— Me passe o telefone dela, nós estudamos juntas. — Isadora arrumou os óculos escuros largos, de cabeça baixa, mexendo nas unhas recém-feitas.
A recepcionista ficou na dúvida. Se duas ex-colegas não tinham os contatos uma da outra, era sinal de que a relação entre elas não era boa.
Pietra vinha passando na hora e, vendo o rosto de hesitação da recepcionista, perguntou:
— O que houve?
— Diretora Pietra, esta senhorita está procurando a restauradora Flávia.
Isadora, ao ouvir como a recepcionista a chamava, voltou o olhar para ela.
— Diretora Pietra, por favor, entre em contato com a Flávia e peça para ela vir aqui.
Ouvindo aquele tom tão arrogante, a raiva de Pietra subiu instantaneamente.
Ela cruzou os braços e apontou para a porta.
— A porta é por ali, pode ir embora.
Depois de dizer isso, voltou para o escritório e ligou para Flávia.
— Flávia, tem uma mulher mal-intencionada te procurando. Tem um tom arrogante, como se a gente devesse alguma coisa a ela. Eu a mandei embora.
Heloísa construía uma imagem gentil na frente de outras pessoas. A atitude arrogante fez Flávia lembrar de Isadora na mesma hora.
— Como ela é? — Flávia perguntou.
— Tem um rosto de boneca, usa roupas de rica, dá para ver de cara que não falta dinheiro.

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