Ele franziu a testa instintivamente, um tanto desacostumado. No passado, mesmo tarde da noite, Flávia Viana deixava uma luz acesa para ele.
Ao levantar a mão para acender a luz do primeiro andar, Fátima, ao ouvir o barulho, saiu do quarto.-
— Onde ela está?
— A senhora não tem voltado nos últimos dias. — Fátima falou enquanto observava a expressão de Valentino Monteiro.
Seu rosto de traços marcantes não revelava nenhuma emoção; era impossível saber o que ele estava pensando.
Valentino Monteiro concordou com a cabeça. Sem se importar em trocar os sapatos, caminhou para o andar de cima em direção ao quarto principal.
Abriu a porta e passou os olhos pelo ambiente.
Lembrou vagamente de ter visto Flávia Viana no hospital, supôs que estivesse doente.
O celular tocou; era Heloísa Vasconcelos.
Valentino Monteiro desceu as escadas, ligou o carro e partiu.
—
Dois dias depois.
Flávia Viana voltou à mansão, e Fátima foi recebê-la.
— Senhora, enquanto você esteve fora nestes dias, o senhor veio aqui uma vez.
— E o que mais? — Flávia Viana parou de andar.
— Ele me perguntou aonde você tinha ido. Eu disse que você não tinha voltado para casa ultimamente, e o senhor não disse mais nada.
Flávia Viana sabia que Valentino Monteiro nunca se importara com as coisas dela.
Já se passavam sete anos.
A atitude dele em relação a ela sempre fora fria, algo a que ela já estava acostumada.
— Ok.
Flávia Viana subiu as escadas, vestiu uma camisa branca com calça social preta e, ao ver no espelho seu rosto um pouco pálido, fez uma maquiagem leve.
Dirigiu até a empresa.
Ao ver Flávia Viana chegar à empresa, o assistente de Valentino Monteiro, Vicente, aproximou-se. — Faça um café.
Após dizer isso, ele sequer olhou para Flávia Viana, como se ela fosse algo repugnante.
Flávia Viana ia soltar a bolsa, mas a sua mão parou no meio do movimento.
— Agora, o Sr. Monteiro foi para uma reunião e só a Srta. Heloísa está lá.
A sala de Valentino Monteiro, onde Flávia Viana só podia entrar com permissão, estava aberta a todo momento para Heloísa Vasconcelos.
A sala de Valentino Monteiro guardava inúmeros segredos comerciais; se fossem vazados, os prejuízos seriam incalculáveis.
Flávia Viana reprimiu a dor aguda que sentia no peito e disse em tom de brincadeira: — É mesmo? Esta é uma ótima oportunidade para vocês se mostrarem para a patroa. Por que não vão rápido?
— Eu não gosto dela, não quero ir. — A secretária Cássia fez uma careta.
— Deixa para lá, eu mesma vou.
Flávia Viana chegou à porta da sala de Valentino Monteiro e bateu.
— Entre. — A voz de Heloísa Vasconcelos ecoou de dentro.
Flávia Viana abriu a porta e entrou.
No segundo seguinte.
Ela paralisou no mesmo lugar.
Embora tivesse se preparado mentalmente para encontrar Heloísa Vasconcelos, não esperava se deparar com aquela cena...

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