— Beatriz, seu papai foi para o céu quando você ainda era muito pequena. Ele te olha todos os dias e sente muita saudade de você.
Aurora só podia mentir para Beatriz dessa forma, porque não queria que ela soubesse da existência de Valentino.
— Dona Lucinda disse aquele dia que o Tio Valentino era seu pai para assustar aqueles homens maus. Não é verdade.
O rostinho expectante de Beatriz instantaneamente ficou desapontado, e ela apertou os lábios.
Ela queria um pai.
Se o pai estivesse lá, ela não teria sido levada pelos homens maus?
Do lado de fora da porta, Valentino não conseguia dizer que emoção estava sentindo naquele momento.
Era muito complexo.
Beatriz não disse mais nada, mas seu rostinho tenso mostrava seu descontentamento.
Aurora sentiu pena e culpa.
Foi ela quem não cuidou bem de Beatriz. Ela sempre achou que dar-lhe uma vida boa e passar todo o seu tempo livre com ela compensaria a falta de um pai.
Beatriz era diferente dela. Ela viu com os próprios olhos Alberto Vasconcelos trazer a amante para dentro de casa, então naturalmente não tinha muitas expectativas em relação a ele.
Mas Beatriz nunca tinha visto o pai, ela nunca tinha experimentado o amor paterno.
Naquele momento, ela de repente sentiu que talvez tivesse errado.
Talvez Valentino não fosse um bom marido, mas seria um pai competente?
Justo nesse momento, a porta foi empurrada.
Aurora virou a cabeça e viu Valentino segurando uma grande sacola de lanches na mão esquerda e bonecas na mão direita.
Valentino estava ali para visitar Beatriz?
Mas ele não odiava crianças?
— Srta. Valente, vim ver a Beatriz. — Valentino acenou com a cabeça para Aurora.
Ao ouvir a voz de Valentino, Beatriz virou-se rapidamente, com a alegria brilhando em seus olhos claros.
Valentino era o salvador de Beatriz. Para salvá-la, ele até quebrou as costelas.
E agora ele ainda preparou lanches e brinquedos para visitá-la.

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