— Flávia, Tiago não passa de uma criança imatura, você precisa mesmo se importar com uma coisa tão pequena? Além disso, vocês são da mesma geração, de onde tirou que é mais velha que ele?
Ao ver Flávia revidar, Dona Helena franziu a testa, defendendo Tiago.
Tiago, como um menino mimado que encontrou apoio, endireitou a postura, com um ar de "o que você pode fazer a respeito".
Flávia riu com desdém.
Quando Tiago dificultava as coisas para ela, Dona Helena ficava surda, fingia não ouvir e tolerava o desrespeito dele.
Quando a situação se virou contra Tiago, os ouvidos dela funcionaram melhor do que os de qualquer um, saindo para defendê-lo e culpando-a por não ser compreensiva.
A tal criança dela já era maior de idade e tinha um metro e oitenta e dois de altura.
— Dizem que a cunhada mais velha deve ter maturidade para orientar os mais novos da família. — O olhar de Flávia estava severo. — A senhora vive ocupada o dia todo, não tem tempo para ensiná-lo, então eu o ensino em seu lugar. Isso evita que as pessoas lá fora digam que o segundo filho da família Monteiro não tem educação. Faço tudo isso pela reputação da família, acredito que a senhora vai entender.
As têmporas de Dona Helena latejavam, e o seu rosto mudava de cor de raiva.
Essas palavras de Flávia não queriam dizer justamente que Tiago não teve educação? Era uma ofensa indireta a ela.
Era assim que ela tratava os mais velhos?
Flávia ignorou a raiva de mãe e filho, virando-se para subir as escadas.
Tiago olhou para as costas dela por alguns segundos, sentando-se irritado no sofá.
Flávia ficou no andar de cima até a hora do jantar. Valentino já havia chegado e Tiago parecia zangado, reclamando de algo indignado para Valentino.
Parecia estar fazendo queixas.
Quando Tiago notou que ela desceu, falou com ainda mais empolgação. Valentino olhou para ela, encarou-a por alguns segundos e desviou o olhar.
Flávia percebeu a análise no olhar dele, como se não acreditasse que ela houvesse retrucado Dona Helena e repreendido Tiago esta noite.
— Flávia, venha sentar aqui do meu lado. — Dona Maíra sorriu ao ver Flávia e depois olhou para Valentino. — Valentino, Tiago, vamos comer.
Flávia tinha acabado de se sentar à esquerda de Dona Maíra.

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