Ela não soube que tipo de resposta deveria dar.
Ele ficou satisfeito.
Apenas puxou os lábios com indiferença e disse: “Péricles, eu já não te amo mais. Por que você insiste em se torturar assim?”
“Mas eu ainda te amo.” Ele falou com os lábios e dentes trêmulos, como se estivesse sorrindo e chorando ao mesmo tempo. “É muito engraçado, não é? Eu sou mesmo tão sem valor, tão desprezível, sou mesmo tão cachorro, eu sou…”
Ele chorou.
As lágrimas se misturaram à água.
O coração dela se apertou junto.
A respiração dele ficou mais pesada.
Ele segurou o queixo dela, e, apesar de ela evitar o olhar carregado de intenções, ele ainda assim pressionou um beijo forte sobre seus lábios.
Aquele beijo parecia um desabafo.
Todo o ressentimento e a queixa vieram à tona, dominadores e ao mesmo tempo gentis.
Apesar de ele já ter se lavado.
Ainda restava um leve cheiro de álcool em sua boca.
Ela não conseguiu respirar, os dedos agarraram com força o ombro dele, sendo forçada a erguer o rosto para receber sua intensidade.
O fôlego era quente.
Ela não teve qualquer chance de recuar.
A noite se perdeu em meio ao encanto…
……
Depois desse episódio inexplicável.
Estefânia passou a temer encontrar Péricles.
Provavelmente, Péricles sentiu o mesmo.
Por quase uma semana, ele não voltou para casa.
Teresa veio fazer uma visita.
Logo de cara, ela se encantou com o pequeno.
Ao pegá-lo no colo, sentiu o coração derreter.
Parecia estar vendo um pequeno Péricles. Quando ela deixou a família Rodrigues, ele tinha exatamente aquele tamanho.
Os olhos dela se encheram de lágrimas. “Nozinho, você me conhece? Eu sou a vovó, sou a mãe do seu papai.”
Nozinho recuou.
Os olhos grandes e curiosos olharam para aquela avó desconhecida.
“Eu não tenho vovó.”

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