Passei horas vagando pela casa de Kaian, meus pés descalços deslizando pelo chão de madeira enquanto eu analisava cada quadro, cada cantinho da casa dele. Não era um lugar grande e com muitos quartos, havia apenas dois quartos no andar de cima, e apenas o de Kaian tinha um banheiro.
Mas eu não pude deixar de notar que o quarto de hóspedes parecia ter sido preparado para mim. Será que era isso que ele queria? Que vivêssemos de forma separada ou apenas arrumou o quarto para me dar certa privacidade até estarmos mais à vontade?
Cada minuto que passava e ele não aparecia, cada rangido da madeira, aumentava a inquietação que crescia dentro de mim. O toque dele, a fome em seus olhos, o calor dos lábios contra minha pele, ainda me afetava, me deixando naquele limbo de ansiedade e desejo. Esperançosa de que Kaian voltaria e continuaríamos de onde paramos.
Mas ele não voltou, eu me enfiei na cama do quarto onde o cheiro dele, de floresta e algo selvagem, estava impregnado nos lençois. Não sei em que momento meus olhos se fecharam e o cansaço me engoliu, eu caí em um sono profundo, sonhando com seus braços ao meu redor, com a promessa de algo sedutor e duradouro.
Quando acordei, a luz da manhã entrava pelas cortinas, iluminando o quarto vazio e me dizendo que ele ainda não havia voltado. Meu coração se afundou no peito e a preocupação se instalou, fria e pesada. Algo horrível devia ter acontecido para mantê-lo fora a noite toda.
Me levantei ainda vestindo a camisa dele, que caía larga sobre meus ombros até o meio das minhas coxas, e desci para a cozinha, tentando me distrair fazendo café e torradas. Kaian teria que voltar para casa em algum momento e eu podia apostar que estaria com fome.
Cada barulho do lado de fora fazia meu coração saltar, na esperança de que fosse ele. E quando a porta finalmente se abriu eu corri até ele sem pensar, me jogando contra ele e agarrando seu pescoço com os braços, deixando o alívio se misturar com a felicidade de vê-lo ali e bem.
— Onde você esteve? — perguntei, a voz tremendo de preocupação. — Te esperei a noite toda.
Mas Kaian não retribuiu o abraço ou a minha empolgação, seu corpo estava rígido, como se fosse uma estranha o abraçando. Ele me segurou pelos ombros sem o calor da noite passada, era um toque frio quase como se não quisesse ter que me tocar, me afastando de seu corpo até que tivesse um espaço grande entre nós dois, e me encarou com os olhos dourados, que ontem brilhavam com desejo, agora estavam frios e distantes.
— O que aconteceu na noite passada não vai acontecer de novo — foi a primeira coisa que ele disse, me deixando confusa. — Foi um erro.
Eu pisquei rapidamente sem conseguir entender do que ele estava falando, mesmo que no meu subconsciente já tivesse entendido e um frio desconfortável começasse a subir pelo meu estômago.

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