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A Noiva Rejeitada do Alfa romance Capítulo 17

O quarto estava mergulhado em um silêncio opressivo, quebrado apenas pela respiração fraca e irregular do meu pai. Eu não conseguia evitar de chorar copiosamente e quando Kaian me abraçou, foi como se eu finalmente pudesse deixar cair minhas barreiras e apenas me entregar aquele sentimento de tristeza e sufoco em ver meu pai ainda pior.

— Vocês deveriam estar em casa... — eu ouvi meu pai murmurar e quis rir, porque com a conversa que Kaian estava tendo comigo de manhã eu não sabia se ainda tinha uma casa. — Me diga, já colocou meu netinho dentro dela?

As palavras pairaram no ar, carregadas de uma expectativa que me sufocava. Eu senti o calor subir ao meu rosto, uma mistura de vergonha e dor. Kaian hesitou por um segundo um segundo que pareceu eterno, e então, com uma voz firme, quase convincente, respondeu:

— Fiz minha parte, Duncan. Vamos ter um herdeiro forte em breve.

A mentira ecoou no quarto e eu congelei com o ar preso nos pulmões. Meu coração, já machucado pela frieza da manhã, se contraiu em um espasmo doloroso. Herdeiro forte? As palavras dele naquela conversa fria e indiferente preencheram minha mente "Nosso casamento é apenas um negócio. Não vamos ter relações".

Eu sabia que ele estava mentindo para o meu pai querendo poupá-lo. Mas eu não pude evitar de criar esperanças, imaginar que aquilo podia mesmo acontecer um dia, que poderia ter um bebê dele dentro de mim. Por que ele fazia isso? pensei, os olhos ardendo com lágrimas que eu lutava para conter. Por que fingir algo se depois vai me rejeitar? Despertar esperança nas pessoas para depois não cumprir era crueldade.

Meu pai sorriu fraco, apertando minha mão com o pouco de força que lhe restava.

— Bom... bom menino. Eu sabia... sabia que vocês dariam certo. — Ele fechou os olhos por um momento, mostrando o quanto estava exausto, e eu me inclinei para beijar sua testa enrugada, sentindo o cheiro de remédios e suor me sufocar.

Kaian permaneceu ali imóvel, mas eu sentia sua presença protetora e vigilante. E foi assim durante o dia que se arrastou, o estado do meu pai piorava a cada hora, sua respiração era um chiado constante interrompido por acessos de tosse que o deixavam ofegante e pálido. Eu me movia entre o quarto e a cozinha como uma sombra, limpando suor de sua testa, ajustando os travesseiros, murmurando palavras de conforto que soavam vazias até para mim.

Kaian não saiu de lá, ele ficou ao meu lado, como uma rocha inabalável e silenciosa enquanto meu pai dormia em curtos intervalos e acordava com olhares confusos, procurando por mim como uma criança perdida. A exaustão me consumia, não só física, mas uma fadiga da alma, como se cada batida do meu coração doesse um pouco mais.

Eu comecei a preparar um ensopado de carne com legumes, cozido devagar, com as ervas do jardim que meu pai tanto amava. Ao menos assim eu conseguia me distrair do estado de meu pai e de tudo o que aconteceria entre mim e Kaian, mas meus pensamentos eram traidores, eu não conseguia parar de pensar que ele tinha mentido por mim. Mas e se fosse verdade? E se ele mudasse de ideia e quisesse um filho?

A esperança teimosa lutava contra a realidade, e eu odiava como meu coração se agarrava a pequenas demonstrações de afeto.

— Quer ajuda? — A voz de Kaian bem perto me fez pular no lugar enquanto ele se aproximava.

Eu hesitei com meu corpo todo correspondendo a presença dele. Ele chegou ainda mais perto, fazendo com que seu cheiro de floresta e algo selvagem invadisse o ar, me lembrando da noite anterior, do desejo que ele despertou em mim.

— Não precisa — respondi, forçando minha voz a sair. — Tenho tudo sob controle. É só... algo simples para o meu pai.

Mas ele não se moveu, continuou com os olhos dourados fixos nos meus, me prendendo com uma intensidade que arrepiou minha espinha e me deixando paralisada.

— Deixa pelo menos ajudar com a carne. Não sou bom em tudo, mas cortar isso eu consigo. — Havia algo diferente na voz dele, quase uma súplica, e antes que eu pudesse protestar, Kaian pegou a faca, deixando os dedos roçarem nos meus por um instante que enviou aquele calor por meu corpo.

Nossos movimentos se sincronizaram enquanto trabalhávamos lado a lado, eu picando os legumes e ele cortando a carne em cubos precisos. O silêncio era confortável, quase como se cozinhar juntos fosse a nossa rotina, mas estava carregado de uma tensão que me deixava inquieta

— Você cozinha bem? — perguntei, tentando não parecer tão interessada, mas minha voz saiu trêmula, traída pela emoção que borbulhava sob a superfície.

Ele deu um meio sorriso, o primeiro verdadeiro que eu via desde aquela manhã, e isso aqueceu algo dentro de mim, mesmo que dolorosamente.

— Não sou um chef, mas eu aprendi o básico com a mãe de Leon, já que meus pais não tiveram tempo... — Ele parou com os olhos se perdendo na panela, e eu vi a sombra de uma dor antiga cruzar seu rosto. — Ela dizia que comida era o jeito de mostrar amor. E você?

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