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A Noiva Rejeitada do Alfa romance Capítulo 18

Tudo aquilo era um inferno. Eu me sentia preso em uma teia de dor e mentiras, o quarto do velho Duncan parecia se encolher ao meu redor, as paredes de madeira rangendo como se sussurrassem acusações. E para melhorar eu passei o dia todo com a perda dos meus pais voltando como uma maré negra, inundando minha mente sem piedade, o cheiro de sangue na mata, os gritos abafados, o silêncio que veio depois.

Eu odiava humanos por isso, odiava o que eles representavam: destruição, traição, um vazio que engolia tudo. Mas Alina e Duncan tornavam isso tão difícil, que era insuportável ver os dois sofrendo diante daquela perda iminente. A dor que eu via no rosto dela, crua e devastadora, sempre que se afastava dele e o amor e a devoção que ela deixava transparecer quando estava no quarto com ele, despertaram uma necessidade absurda de consolá-la, como se meu lobo soubesse que ela era parte de mim agora, eu querendo ou não.

Por que ela? Por que tinha que doer tanto vê-la assim?

Ela adormeceu depois de horas de vigília exaustiva e eu me sentei na cadeira ao lado da cama de Duncan, mantendo os olhos fixos no peito fraco subindo e descendo, como se a qualquer momento ele pudesse parar de respirar. O silêncio era misericordioso, pelo menos por um momento, mas minha mente não parava, a culpa pela minha mentira me corroía, misturada com a raiva, raiva de mim mesmo por me importar, por sentir essa compaixão que eu jurara nunca dar a uma humana. Mas era real. Ver Alina se desfazer aos poucos, o rosto pálido marcado por olheiras, os olhos vermelhos de tanto chorar, me fazia querer protegê-la de tudo, até de mim.

A porta rangeu e Leon entrou com o rosto sombrio, os olhos castanhos carregados de urgência.

— Eles estão te esperando na sede, alfa. Os anciãos estão montando os grupos de busca e querem você lá.

Droga, ainda tinha isso! A imagem dos corpos dilacerados na clareira voltou, o sangue fresco na terra, os rostos jovens congelados em terror. Meu punho se fechou com a raiva subindo por ter uma guerra dentro de mim que não deveria existir, eu não deveria me sentir dividido entre Alina e meu povo.

— Eu vou — respondi, me forçando a levantar, mesmo que meu corpo pesasse como chumbo. — Fica aqui e ajuda ela no que precisar. Se ele piorar...

Leon ergueu a mão, interrompendo-me com um olhar firme, quase desafiador.

— Não vai. Delega isso para outros da alcatéia, tem guerreiros ótimos e preparados que adorariam ir ou até mesmo liderar o ataque. Deixe que os anciãos dividam os grupos de busca, você tem que ficar aqui, apoiando sua esposa.

As palavras de Leon soavam como a voz da razão, mas eu não podia, não tinha como ficar ali e deixar que outros fizessem o que esperavam de mim, eu era o alfa, deveria liderar eles, mostrar que estava presente.

— Esse casamento não é real, Leon — rosnei com a voz baixa para não acordar Duncan, mas carregada de frustração. — É um acordo: Terras em troca de uma promessa vazia, eu não sou o marido dela de verdade.

Ele me encarou, os olhos estreitando em uma mistura de pena e raiva.

— Ah, é? Então por que você não consegue sair daqui? Por que está se matando pra não agarrá-la e arrancar toda dor dela? — Antes que eu pudesse responder, um gemido fraco veio da cama e Duncan se mexeu, com os olhos se abrindo devagar como se procurasse por algo.

— Alina... — murmurou, a voz apenas um som fino e rasgado

Leon me censurou com o olhar, um misto de repreensão e tristeza, antes de passar por mim e se aproximar da cama.

— Vou chamá-la, senhor — ele disse com cuidado, mas eu já estava me movendo.

Me sentia um merda completo por querer deixá-la sozinha naquele momento, por priorizar a alcatéia sobre a mulher que, quer eu admitisse ou não, estava se enraizando no meu peito como uma erva daninha difícil de arrancar.

Subi as escadas com passos pesados, cada degrau era um lembrete da minha fraqueza, da minha traição com o meu povo. A porta do quarto dela estava entreaberta, e quando empurrei eu paralisei por um instante, com o ar ficando preso na garganta.

O lugar era um oásis de vida em meio à morte que nos cercava, flores e plantas em vasos espalhados por toda parte, em mesas, prateleiras e até no chão, transformando o quarto em um jardim secreto. Margaridas silvestres, jasmins trepadores, folhas verdes que pareciam dançar na brisa da janela aberta. Havia desenhos a lápis nas paredes, traços delicados de paisagens da fazenda, e de plantas difíceis de encontrar, páginas rasgadas de livros antigos, com poemas sublinhados e margens cheias de anotações em uma caligrafia delicada.

Era como entrar na mente dela: suave, resiliente, cheia de uma beleza escondida e selvagem. Então é isso que Alina gosta? Me perguntei enquanto andava pelo lugar, me maravilhando com cada pedacinho. Como ela podia ser tão... viva, em meio a tanta dor que sofreu desde que a mãe a abandonou?

Me aproximei da cama vendo Alina dormir profundamente, o rosto relaxado pela primeira vez em horas, os lábios entreabertos em uma respiração suave, enquanto o corpo pequeno e magro estava encolhido na cama.

Ela parecia tão frágil, tão inocente e perdida, quase como uma criança enfrentando um mundo de coisas ruins e se forçando a ser forte. Havia uma sombra de sorriso em seus lábios, como se nos sonhos o mundo fosse gentil com ela. Aquele pensamento fez meu coração disparar, uma onda de culpa e algo mais me invadindo, e por um instante insano a vontade de beijá-la me consumiu. Seria fácil me inclinar e roçar os lábios nos dela, provar aquela paz que ela carregava mesmo no sono.

— O que você tá fazendo comigo, coelhinha? — Sacudi a cabeça, afastando o pensamento como se doesse. Não estava ali para aquilo. — Alina...

Seus olhos se abriram devagar, e o brilho neles, delicado e sonhador, ainda preso ao sonho, me acertou como um soco. Ela sorriu para mim, um sorriso lento e confiante, como se eu fosse parte daquele mundo perfeito que ela acabara de deixar.

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