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A Noiva Rejeitada do Alfa romance Capítulo 19

Meu mundo acabou. Não havia outra forma de descrever, tudo o que eu conhecia, tudo o que me mantinha firme se acabou em um instante, me deixando sozinha naquele abismo sem fundo.

Meu pai era o único farol na escuridão da minha vida, o homem que me carregara nos braços, brincava comigo, me ensinou tudo da fazenda e da vida, quando minha mãe nos abandonou, foi quem me ensinara a plantar sementes na terra úmida e a hora certa de um novilho nascer ou de um fruto ser colhido. E agora seu corpo estava ali inerte na cama que ele tanto odiava nos últimos meses, a mão que apertava a minha agora estava frouxa, sem forca, fria como a terra que o receberia em breve.

Eu deveria ter tido mais tempo. Deveria ter implorado ao universo, aos deuses, a qualquer coisa, por mais um dia, mais uma hora. Mas o tempo era cruel e o tirou rapidamente de mim quando tínhamos tanto ainda pra viver.

Primeiro, minha mãe me deixou aos dez anos, saindo pela porta da frente com uma mala e um adeus que ecoava como uma maldição. Agora casei com um homem que me olhava como se eu fosse uma praga, um erro que ele precisava tolerar por causa de terras e promessas vazias. E agora isso. Perdia o único que ainda me amava de verdade, o único que via em mim não uma humana frágil, mas uma filha forte, capaz de enfrentar o mundo.

Meu coração se partiu em vários pedaços, cada respiração era um esforço sem tamanho, como se meu corpo soubesse que talvez fosse melhor apenas desistir. As lágrimas vinham em ondas incontroláveis, quentes e salgadas, encharcando a camisa de Kaian, que me apertava em seus braços.

As lembranças felizes invadiam minha mente como fantasmas gentis. Por quê, pai? Por quê logo você? gritava dentro de mim sem forças de fazer a pergunta em voz alta, enquanto meu corpo convulsionava em soluços que pareciam vir do fundo da alma.

Eu odiava o fato de estar sendo consolada por ele, por Kaian, mas ali estava ele com seus braços fortes me envolvendo durante a minha queda, enquanto meu mundo se desfazia ele me segurava, me apertando contra o peito largo, como se quisesse me manter firme.

Por mais que eu odiasse assumir, o calor de seu corpo me acalmava, mesmo que eu não quisesse ser fraca e depender dele, eu me deixei levar e me aconcheguei ainda mais contra ele

Então, uma voz irrompeu na porta como um trovão, rasgando o véu frágil de privacidade que nos restava.

— O que está acontecendo aqui que é mais importante que seu povo? — gritou o homem parando na porta do quarto.

Meu corpo se enrijeceu nos braços de Kaian, enquanto minha dor se dividia em confusão. Eu o reconheci imediatamente, ele estava no nosso casamento, um homem alto e magro com cabelos grisalhos longos até o meio das costas, era um dos que olhavam para mim com desprezo. Mas o que ele fazia ali? E que tipo de pergunta era aquela, como se a morte do meu pai fosse um inconveniente para ele?

Kaian se moveu primeiro, se levantando com uma rapidez predatória que me fez tropeçar, puxando-me para cima com ele. Seu braço ainda me envolvia pela cintura, protetor, mas seus olhos já estavam frios, como se estivesse calculando algo.

— Não é nada — Kaian respondeu com voz baixa e controlada, mas com uma pitada de frieza que me fez virar o rosto, incrédula. Nada? Meu pai acabara de morrer, e para ele era nada? — O senhor Duncan morreu.

O ancião cruzou os braços, o olhar passando por mim como se eu fosse invisível, uma poeira no ar. Aquele tom não combinava com o homem que me abraçava minutos antes, sussurrando que não me deixaria sozinha. Era como se uma máscara tivesse caído, revelando o alfa distante e indiferente, o lobisomem que priorizava me odiava e não se importava com a minha existência.

— Não é assunto seu — rebateu o ancião, os olhos estreitando em desdém sem uma gota de compaixão com a cena a sua volta. Nem mesmo a decência de dizer um "meus pêsames", era quase como se a morte de um humano fosse irrelevante, um detalhe em sua agenda lotada. — O conselho está esperando há tempo demais.

— Vamos — disse Kaian, marchando para fora sem me dar sequer um olhar, os ombros tensos e o passo decidido foi assim que ele deixou o quarto de meu pai sem se despedir.

Meu coração afundou no peito, com um vazio gelado se instalando no peito. Exatamente como eu pensei, as lágrimas inundaram meus olhos embaçando a visão enquanto o via se afastar. Ele me abandonaria como todos os outros, como minha mãe, como meu pai.

Eu estava fadada a ficar sozinha!

O quarto girou enquanto minhas pernas fraquejavam e eu me virei para a cama, para o corpo imóvel do meu pai. Seu rosto, outrora marcado por rugas de riso, agora estava sereno, quase acinzentado, os olhos que eu tanto amava agora estavam fechados para sempre.

Eu caí de joelhos ao lado dele, o colchão afundando sob meu peso, mas eu não me importei quando me movi em sua direção me aninhando contra seu corpo ainda morno. O calor residual era uma forma de enganar a mim mesma, uma farsa como tudo em minha vida tinha se tornado, então eu o abracei, enterrando o rosto em seu peito, inalando o cheiro familiar de terra que ele costumava ter, ignorando o cheiro de remédios que exalava dele.

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