Os disparos ainda ecoavam na minha mente quando ele voltou.
Mas não era só medo que vibrava dentro de mim.
Era adrenalina queimando nas veias.
Era calor espalhado pela pele.
Era aquela sensação perigosa de estar à beira de algo que podia me destruir… ou me consumir inteira.
A porta se abriu com força controlada.
Ethan entrou.
Sem pressa.
Sem desordem.
A gravata ligeiramente desalinhada. Uma sombra mais escura na manga do paletó. Os olhos… mais frios do que eu já tinha visto.
Frio de quem já tinha decidido destinos.
Frio de quem não hesita.
Mas quando eles pousaram em mim, algo mudou.
Lentamente.
O gelo rachou.
Eu estava vestida com o vestido verde que ele havia escolhido. O tecido marcava minha cintura, descia justo pelos quadris. Minha pele ainda carregava o calor do que quase aconteceu minutos antes.
O olhar dele percorreu cada curva.
Com desejo.
Sem pressa.
Como se estivesse confirmando que eu ainda estava ali.
Viva e continuava sendo dele, porque ele assim determinou.
Meu corpo reagiu àquela forma silenciosa de posse. Uma mistura de revolta e um arrepio involuntário que me fez prender a respiração.
— Eles vieram atrás de você — disse finalmente.
A voz não tinha emoção.
Mas o maxilar estava tenso.
Aquilo não era indiferença. Era controle forçado.
Meu estômago se contraiu.
— O quê?
A palavra saiu mais fina do que eu gostaria, traindo o impacto que senti.
Ele se aproximou.
Um passo.
Depois outro.
A presença dele preenchia o espaço. Dominava o ar. Quanto mais perto vinha, mais difícil era respirar.
— Alejandro. Chefe do cartel na Colômbia.
O nome era totalmente desconhecido para mim, mas parecia representar perigo.
O simples modo como ele pronunciou fez um frio deslizar pela minha espinha.
— Eu não conheço ninguém com esse nome — respondi, e dessa vez não havia desafio. Só confusão.
E um início de indignação por estar sendo colocada naquela posição.
Ele parou a poucos centímetros de mim.
Tão perto que eu sentia o calor do corpo dele atravessando o tecido do vestido.
— Não. Mesmo? Um dos homens falou ao contrário do que está me dizendo — murmurou. — Disse que você sabia de quem se tratava.
Meu coração disparou.
Não por culpa.
Mas pela sensação de estar sendo acusada injustamente.
— Eu não faço ideia do que está dizendo, já disse que não conheço nenhum Alejandro e nem ninguém ligado a essa droga de cartel. Eu nem sabia que existia máfia em pleno século XXI.
Minha voz saiu mais alta, carregada de nervosismo. Eu odiava me sentir encurralada.
Os olhos dele buscaram os meus.
Investigando.
Desconfiando.
Mas havia algo além disso.
Dúvida.
Ele estava claramente duvidando de mim.
E aquilo me confundiu mais do que a acusação.
— Não conhece mesmo? — a voz saiu mais baixa.

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