A forma como disse “eu mesmo” fez meu ventre se apertar.
Não era sobre roupas.
Era sobre controle.
Sobre estar envolvido em cada detalhe meu.
— Não precisa — respondi, mas minha voz já não era tão firme.
Eu sentia que estava perdendo terreno.
Ele inclinou a cabeça levemente.
— Eu faço questão, e sabe que sua única alternativa é concordar comigo.
A imposição veio suave.
Mas definitiva.
— Claro, afinal eu não passo de sua propriedade… O que será que sua noiva pensa disso? Aliás, onde ela está?
A provocação saiu misturada com algo que eu não queria admitir: ciúme.
— Indo para Los Angeles. Eu a dispensei com a desculpa de que queria que organizasse a minha casa para a minha volta. Como ela adora se sentir a rainha por lá, logo aceitou.
A naturalidade com que falou da noiva me causou um aperto estranho no peito.
Como se eu não tivesse o direito de sentir nada… mas sentisse mesmo assim.
A mão dele deslizou pela minha cintura, lenta, firme, sentindo o contorno do vestido.
Não era brusco.
Era deliberado.
Possessivo.
Meu corpo respondeu com um leve tremor que eu tentei conter.
— Você treme quando eu chego perto — murmurou.
A voz dele saiu baixa, satisfeita.
— É ódio — retruquei.
Mas minha respiração estava irregular demais para sustentar a mentira.
Ele se inclinou, os lábios quase tocando meu ouvido.
O calor da respiração dele fez minha pele se arrepiar inteira.
— Tenho certeza de que não. Isso é tesão reprimido. Você é a típica ovelhinha que se faz de santa, a filha do falso pastor e da beata que se vestia cobrindo-se até os pés. Mas, sob os vestidos largos e comportados, escondia seu verdadeiro eu, com calcinhas fio dental que mal cobrem esse seu traseiro redondinho e perfeito. Não esqueça que eu conheço esse seu pecado, ovelhinha.
Cada palavra foi como um toque invisível.
Vergonha queimou meu rosto.
Raiva apertou meu peito.
Mas o desejo… o desejo se espalhou traiçoeiro pelo meu corpo.
O ar entre nós ficou quente de novo.
Denso.
Pesado de tensão sexual e desafio.
— Agora vamos. Seja lá o que Alejandro Gonzales queira com você ou de você, eu vou descobrir. Sempre descubro tudo o que quero. Por isso, se tiver algo para me contar, diga logo, porque se eu descobrir que está mentindo vai ser muito pior.
A ameaça veio calma.
Controlada.
Isso a tornava ainda mais assustadora.

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