A palavra empregadinha queimou na minha pele.
Antes que eu abrisse a boca, Ethan a interrompeu.
— Lauren, a pergunta foi feita a mim, não a você. — O tom era firme, porém controlado. — Por que não vai para casa e fique aimda mais inda para o jantar de recepção dos seus pais? Eu terei .sipr prazer em recebe-,Los.
— Agora a Jane vai mostrar seu quarto — disse Ethan, com naturalidade, quando uma mulher simpática de meia-idade se aproximou.
Antes que eu respondesse, outra voz interveio.
— Eu posso levá-la — disse Helen.
Eu já a conhecia. Tê-la ali, de volta a Los Angeles, trouxe um mínimo de estabilidade no meio daquele ambiente que ainda me parecia território inimigo.
Assenti, mas meus olhos continuaram presos em Ethan.
— Será que depois podemos conversar? — perguntei.
Mas não foi ele quem respondeu.
— O que você quer conversar com o meu noivo, sua empregadinha insolente? — a voz de Lauren cortou o ar como vidro. — Pode se achar especial porque é filha de um amigo dele, mas não esqueça o seu lugar.
A palavra empregadinha queimou na minha pele, por .e chamar de empregada ,mas pelo tom de desprezo .
A mudança no clima foi instantânea.
Ele se aproximou dela e, para minha surpresa, beijou-a rapidamente nos lábios.
Um gesto curto.
Calculado.
Suficiente para deixar Lauren se sentindo toda segura de si.
Algo desagradável e perturbador se contorceu dentro de mim. Um aperto súbito, quente, irracional.
Eu me recusei a nomear aquilo.
Não era ciúme.
Não podia ser
— Claro, tem razão, amor — respondeu Lauren, recuperando o sorriso ensaiado. — Espero que mantenha a palavra que deu. Arrumar um marido para essa menina e se livrar da responsabilidade que tem com ela.
Meu sangue ferveu.
— Claro — Ethan respondeu, com a mesma tranquilidade fria. — Farei exatamente isso.
Ela lançou um último olhar para mim, satisfeito demais, e saiu.
O silêncio que ficou foi pesado.
Eu nem esperei que Helen se afastasse muito.
— O quê? Agora quer arrumar um marido para mim? — explodi, virando-me para ele.
Ethan me encarou com aquela calma irritante.
— Claro que não.
Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós outra vez.
— Eu inventei isso para que Lauren me deixasse em paz — disse, baixo.
— Se tem medo de perder sua noiva a ponto de
inventar mentiras para ela, por que não me deixa ir embora? Será bem melhor para você.
— Eu não tenho medo de perder a Lauren. A verdade é que eu não quero perder as vantagens que nosso casamento irá trazer. Mas, se a minha obsessão por você for maior … e se meus interesses nos negócios e na organização não forem suficientes… quem sabe eu dispense ela e todas as vantagens para casar com você, ovelhinha? Porque, do jeito que eu te quero, só pode ser isso: desejo, tesão, obsessão.
Ele se aproximou mais um pouco, os olhos fixos nos meus.
— Ou será que é amor? — provoquei. — Não tem medo de estar amando pela primeira vez, senhor Blake?
— Amor? — disse ele, sorrindo de verdade, como se eu tivesse contado uma grande piada.
O sorriso, porém, não alcançou completamente os olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A obsessão do CEO Mafioso