Meu peito se aqueceu instantaneamente.
— Sou sim ,me chamo Antonella , é um prazer te conhecer ,Mel.— respondi, e percebi que minha voz soava mais leve do que eu me sentia há dias.
Ela segurou minha mão com naturalidade, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Na verdade me chamo Melanie, mas todos me chamam de Mel… e é um prazer te conhecer, Antonella.
O jeito sério com que ela disse aquilo, estendendo a mãozinha como se fosse uma pequena dama, me arrancou um sorriso genuíno.
Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, os olhos azuis dela brilharam ao enxergar alguém atrás de mim.
— Tio!
Ela soltou minha mão e saiu correndo pelo enorme hall da mansão, os passos apressados ecoando no mármore polido.
Eu me virei a tempo de vê-la praticamente se jogar nos braços de Ethan.
E algo que eu não achei que fosse testemunhar aconteceu , o .mafioso, o assassino, se transforma em um homem completamente diferente.
Ele a pegou no ar com facilidade, como se aquele gesto fosse instintivo. Os braços fortes, que horas antes eu tinha visto rígidos e implacáveis, agora a envolviam com cuidado.
— Ei, minha pequena , você está cada vez mais linda .— a voz dele mudou completamente.
Não havia frieza, só amor e
carinho verdadeiro.
Mel enterrou o rosto no pescoço dele.
— Eu estava com saudade! o senhor demorou!
Ele fechou os olhos por um segundo, apertando-a contra o peito como se aquele abraço fosse a única coisa real no meio do caos que era a vida dele.
— Eu também senti saudade, princesa.— respondeu, beijando a testa dela com delicadeza.
Eu fiquei parada, observando.
O mesmo homem que falava sobre enviar corpos como recado agora sorria de um jeito quase desarmado. A expressão endurecida tinha desaparecido. No lugar, havia algo suave. Protetor. Humano.
Ele a colocou no chão devagar, mas manteve as mãos nos ombros dela.
— Está se comportando bem ?— perguntou, arqueando uma sobrancelha de leve.
— Sempre! — ela respondeu, exageradamente ofendida.
Ele riu.
Riu de verdade.
O som me pegou desprevenida.
Lauren observava a cena a poucos passos, o sorriso educado ainda no rosto, mas os olhos atentos… calculando cada detalhe.
Eu, porém, não conseguia tirar os olhos de Ethan.
Era estranho ver aquela dualidade tão clara.
O mafioso frio.
O homem que ameaçava sem piscar.
E o tio amoroso que se abaixava para ficar na altura da sobrinha, ajeitando uma mecha do cabelo dela com paciência.
Mel segurou a mão dele e então apontou para mim.
— Ela é linda e eu acho que é muito legal, tio. Eu gostei dela, mas eu tenho medo que vá embora com.o as outras que eu também gostava.
Meu coração acelerou levemente.

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