— Sim, penso. Minha filha tem toda razão de se sentir ofendida. Você está faltando com respeito.
Eu desci o último degrau.
Devagar.
Sem alterar o tom.
— Abaixe a voz.
— Eu não vou abaixar a voz na sua frente—
Eu não dei espaço para ele terminar.
Em dois passos eu estava perto o suficiente para invadir o espaço pessoal dele.
Minha voz não subiu.
Mas perdeu qualquer traço de cordialidade.
— Você está na minha casa.
Silêncio.
— E aqui dentro… quem define o tom da conversa sou eu.
Ele tentou sustentar meu olhar.
— Não tente me intimidar.
Eu segurei o colarinho do paletó dele.
Não foi um gesto impulsivo.
Foi calculado.
Apenas o suficiente para lembrá-lo da diferença entre nós.
A sala inteira ficou imóvel.
— Eu não estou tentando intimidar você.
Aproximei meu rosto do dele.
— Estou lembrando.
Soltei o tecido devagar.
— Você se esquece de que tudo o que construiu depende de silêncio.
Eu caminhei ao redor dele.
— Depende de rotas que continuam funcionando.
— De documentos que continuam assinados.
— De contêineres que continuam passando.
Parei atrás dele.
— Se você quiser transformar isso em um conflito aberto… podemos transformar.
Virei para encará-lo de frente.
— Mas guerras custam caro.
O maxilar dele travou.
Eu continuei:
— Eu perco armamento.
— Perco alguns territórios.
— Perco dinheiro.
Inclinei levemente a cabeça.
— Você perde seu cargo.
— Sua reputação.
— Suas contas secretas serão expostas.
— E talvez… sua liberdade.
A esposa dele levou a mão à boca.
Lauren estava pálida.
James engoliu em seco, mas ainda tentou:
— Você não faria isso.
Eu sorri.
Sem calor algum.
— Eu faço coisas piores todos os dias para manter o que é meu.

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