Mel o abraçou pela cintura, e ele sorriu de verdade dessa vez, inclinando-se para beijar o topo da cabeça dela.
A voz dele veio calma demais.
Controlada demais.
Eu sustentei o olhar.
— O senhor quer dizer com a Mel.
O canto da boca dele se moveu quase imperceptivelmente.
— Não. Com vocês duas.
Ele desviou os olhos para Mel e suavizou a expressão.
— E então, minha princesa… posso fazer companhia para vocês?
— Claro que sim, tio! Eu amo quando você pode ficar comigo!
A sunga marcava o volume entre suas pernas de maneira impossível de ignorar.
Aquele homem era tentação em pessoa..
O calor subiu pelo meu corpo com violência.
Meu rosto queimou.
Levantei o olhar rápido demais, encontrando os olhos dele já fixos em mim.
Ele tinha percebido.
Claro que tinha.
O canto da boca dele se moveu quase imperceptivelmente.
Não era sorriso.
Era consciência.
Sem quebrar o contato visual, ele entrou na água.
Lento.
A água subiu pelo corpo dele, deslizando pelo abdômen, pelos quadris, até cobrir parcialmente a sunga.
Mas não o suficiente.
Ele se aproximou.
Mel nadava ao redor, rindo, pedindo que ele brincasse com ela. Ele tocou a cabeça da menina com carinho breve, mas os olhos…
Os olhos nunca saíram de mim.
Ele parou perto demais.
A água entre nós parecia elétrica.
Eu podia sentir o calor do corpo dele mesmo submerso.
— Espero não atrapalhar a brincadeira de vocês, mas tenho algumas horas antes de ir para a empresa… e gostaria de passar esse tempo com vocês.
O rosto dele era impassível. Frio como sempre.
Mas o maxilar estava rígido. A postura tensa demais para quem apenas observava a sobrinha brincar.
E mesmo à distância, eu soube.
Ele não tinha gostado.
Nem da piscina.
Nem do maiô.
E muito menos dos olhares.
E eu me perguntava o porquê.
Naquela casa eu era apenas a babá da Mel.
No começo, cheguei a pensar que ele me forçaria a ser sua, mesmo negando. Mas o afastamento dele e a aproximação constante com a noiva me fizeram acreditar que eu estava errada.
Talvez ele só quisesse brincar comigo. Testar o próprio poder. Ver até onde eu aguentaria.
Talvez eu fosse apenas um entretenimento momentâneo.
E isso doía mais do que qualquer ameaça.
Eu não entendia por que ele não me deixava ir embora.
Apesar de ter me apegado à Mel, eu sabia que ela tinha o tio. Ele a amava — disso eu tinha certeza, mesmo que demonstrasse pouco.
Apesar de ter me apegado à Mel, eu sabia que ela tinha o tio. Ele a amava — disso eu tinha certeza, mesmo que demonstrasse pouco.
Mas eu tinha minha mãe.
E se surgisse uma chance de sair dali… eu iria.
A água pareceu mais fria de repente.

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