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A obsessão do CEO Mafioso romance Capítulo 19

POV Antonella

Três semanas se passaram desde aquela noite no jardim.

Três semanas desde que ele ameaçou matar um homem por minha causa.

Ethan não voltou a levantar a voz.

Não precisou.

Ele simplesmente se tornou ainda mais silencioso.

Mais atento.

Mais presente.

E aquele silêncio era pior do que qualquer grito.

Eu não falei mais com nenhum dos soldados.

Nem com empregados.

Nem troquei olhares que pudessem ser interpretados como tentativa de fuga.

Não apenas por medo.

Mas porque ele deixou algo muito claro.

Se eu me comportasse.

Se não tentasse manipular ninguém.

Se obedecesse.

Ele me daria informações da minha mãe. Mostraria provas de que ela estava bem.

Eu não queria concordar com as exigências dele. Não queria aceitar que, na verdade, eu não era apenas a babá da sobrinha dele.

Eu era sua prisioneira.

E ainda precisava suportar a noiva dele, que praticamente havia se instalado na casa. Sempre encontrava uma forma de me diminuir, de me dar ordens, de me humilhar diante das amigas — todas tão vazias quanto ela.

Mas minha mãe era o meu ponto fraco.

E ele sabia disso.

Sempre soube.

Então eu concordei.

Não porque quis.

Mas porque precisava.

Aprendi a me calar, mesmo quando tudo dentro de mim implorava para gritar. Aprendi a baixar os olhos. A controlar a respiração. A engolir o orgulho.

Eu me tornei tranquila por fora.

Por dentro, eu estava desmoronando.

E foi nesse silêncio sufocante que Mel entrou no meu coração.

Descobri que a pequena era tão sozinha quanto eu. Apesar de amar o tio, ele vivia para seus negócios — lícitos e ilícitos — e quase não tinha tempo para ela. O carinho existia, mas era distante. Rápido. Sempre interrompido por ligações e reuniões.

Quando comecei a trabalhar como babá dela, achei que seria apenas mais uma obrigação imposta por ele. Uma maneira de me manter ocupada. Vigiada. Presa entre aquelas paredes.

Mas Mel foi diferente.

Nos primeiros dias, ela me observava com aqueles olhos atentos, inteligentes demais para a idade. Não havia medo. Havia curiosidade. Como se estivesse tentando decidir se eu iria embora como os outros.

Crianças percebem quando alguém carrega tristeza.

E eu carregava.

Ela começou a se aproximar devagar. Primeiro sentava ao meu lado, em silêncio. Depois encostava o braço no meu como se testasse a reação. Em seguida passou a segurar minha mão pelos corredores, mesmo sem precisar.

Até que começou a me procurar o tempo todo.

Se eu demorava, ela vinha atrás.

Se eu ficava quieta, encostava a cabeça no meu colo.

Se eu parecia distante, ela me abraçava.

O apego foi crescendo em pequenos gestos. Um sorriso quando eu entrava no quarto. Um “fica comigo” sussurrado antes de dormir. A forma como ela dizia meu nome… como se aquilo significasse segurança.

Sem perceber, a pequena Mel se tornou meu refúgio dentro do caos.

Ela se apegou a mim como se eu fosse proteção.

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