POV Ethan
Tomei uma ducha rápida, a água escaldante batendo no corpo como um castigo. Enquanto o vapor enchia o banheiro, eu me repreendia em silêncio: a que ponto cheguei? Me masturbando no escritório como um adolescente tarado, pensando numa mulher que eu poderia ter quando quisesse. E não seria forçado – eu era experiente o bastante para ler os sinais, para saber como uma mulher me desejava. A pequena italiana de sangue quente me desejava, isso estava claro nos olhares dela, no jeito como corava.
Então por que diabos eu não parava de pensar nela? Por que me masturbava por ela, sozinho, em vez de tomá-la de uma vez? O que me impedia? Não era o compromisso com Lauren – isso nunca me impediu de transar com quem eu quisesse. Talvez eu tivesse medo de possuí-la e ficar ainda mais obcecado, viciado naquele fogo que ela acendia sem nem tentar.
Desliguei o chuveiro com força, praguejei alto e dei um soco na paredez achando que a dor que senti era uma espécie de punição para mim mesmo..
Depois de me secar, fui até o closet, escolhi um dos meus inúmeros ternos impecáveis e me vesti. Claro, me armei como sempre ,com o coldre: com as duas pistolas por baixo do paletó e uma na costa, enfiada no cós da calça na altura da cintura .
Eu sabia que, mesmo agora exercendo meu cargo como dono e CEO, da minha holding , o perigo me rondava como uma sombra. Muitos suspeitavam que eu chefiava a máfia; meus inimigos tinham certeza. Por isso eu estava sempre alerta.
Eu ainda estava irritado comigo mesmo quando ouvi a porta se abrir.
Mal tive tempo de fechar a expressão antes de Mel entrar correndo, rindo como se o mundo fosse simples demais para entender o peso das coisas.
— Tio, o senhor sabia que a Antonella e o Jason estão namorando?
Foi como se alguém tivesse apertado um gatilho dentro de mim.
Meu corpo inteiro reagiu antes mesmo que eu processasse.
Namorando?
Meu olhar foi direto para Antonella.
Ela estava parada atrás da Mel, linda demais para o meu próprio equilíbrio. O vestido azul marcando a leveza do corpo, os cabelos caindo soltos, os palpebras ainda levemente inchados de quem tinha chorado escondido , já que ela pelo jeito não gostava de chorar na frente de alguém.
E aquilo me atingiu de novo.
Eu ainda estava pensando nela minutos atrás.
E agora a imagem de outro homem ao lado dela queimava dentro de mim e fazia sentir um ódio visceral.
— Isso é verdade? — minha voz saiu baixa. Controlada demais.
Jason.

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