Ele inclinou a cabeça.
— Eu vejo diferente. Matei quem merecia morrer. Seu pai não era inocente. E poupei você e sua mãe de um destino muito pior.
— Como assim? Do que está falando?
Meu estômago se revirou.
— De nada. Apenas responda: acha mesmo que poupar a sua vida e a da sua mãe é fazer mal? — ele insistiu.
— Sim. Fez.
Os olhos dele brilharam com algo quase admirado.
— Se quer provar que não é igual ao seu pai, então me deixe ver minha mãe.
Ele se aproximou mais.
Perto demais.
— E quem disse que quero te provar alguma coisa? Para o seu próprio bem, é melhor que fique comigo, Antonella. E, por enquanto, é tudo o que precisa saber.
Meu coração disparava outra vez.
— E se sua sobrinha não gostar de mim?
Um leve sorriso surgiu nos lábios dele.
— Ela vai gostar.
Ele deu mais um passo, os olhos descendo lentamente pelo meu corpo antes de voltar aos meus.
— A Mel com certeza vai adorar você.
O calor subiu pelo meu rosto.
Eu odiava a forma como meu corpo reagia à simples maneira como ele me olhava.
— E, ovelhinha… — a voz dele ficou mais baixa. — Se não quer que eu perca o controle que ainda tenho, pare de andar pela casa usando apenas um roupão.
Meu coração quase saiu pela boca.
— Eu não tenho roupas! — rebati.
— O senhor não me deixou trazer nada.
Ele passou a mão pelo queixo, pensativo.
— Amanhã providenciarei tudo. Ou melhor… pedirei para Lauren comprar o que precisar.
— Duvido que sua noiva perfeita vá querer fazer algo por mim.
O olhar dele mudou.
— Lauren acredita que você é apenas a nova babá de Mel. E sabe que não me envolvo com minhas funcionárias.
— Não foi isso que ouvi. Falam das babás que frequentavam sua cama.
Um sorriso lento surgiu nos lábios dele.
— Sei quem lhe disse isso. Helen. Elas pediam demissão não porque iam para minha cama… mas porque eu as dispensava antes que a alcançassem.
A maneira como disse aquilo fez meu estômago se revirar.
— Agora vá para o seu quarto — ele murmurou, aproximando-se até que nossos corpos quase se tocassem.
— Descanse, partimos amanhã bem cedo.
Meu fôlego falhou.

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