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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 71

ELISA RIVER.

Os dois dias que se seguiram depois daquela conversa foram estranhamente… tranquilos. Victor cumpriu o que prometeu. Deu-me espaço. Não me vigiou a cada passo, não tentou me controlar, não transformou cada movimento meu em um alerta vermelho. Observava de longe, atento, é verdade, mas sem interferir. E isso fez toda a diferença.

Confesso que fiquei surpresa. Talvez mais do que gostaria de admitir.

No dia anterior ao jantar, doutor Walter veio me examinar. Victor não saiu do lado dele um segundo sequer.

— Como ela está, doutor? — perguntou, sério, atento a cada movimento do médico.

Walter me examinou com calma, pediu para eu me sentar, aferiu minha pressão arterial, pediu que eu levantasse e andasse um pouco pelo quarto. Fez perguntas, me analisou e, por fim, sorriu.

— Elisa está bem. Pode seguir a vida normalmente, mas com cautela — disse.

Eu quase sorri de alívio. Mas apenas assenti.

— Normalmente como? — Victor perguntou imediatamente. — Ela pode andar pela casa? Subir escadas? Cuidar da Melissa? Participar de um jantar?

— Pode tudo isso — respondeu Walter, tranquilo. — O sangramento foi pequeno, não houve complicações. Apenas nada de esforço excessivo, carregar peso ou relações sexuais pelas próximas três semanas.

Victor fez uma careta nada discreta.

— Três semanas? — repetiu, visivelmente contrariado.

Doutor Walter riu.

— Sim, primeiro-ministro. Três semanas.

Revirei os olhos mentalmente. Não sei por que essa cara. Será que ele estava achando que eu iria transar com ele após ficarmos noivos? Coitado. Pode perder as esperanças.

— Ela está liberada, Victor — reforçou Walter. — Não há risco em participar do jantar de noivado amanhã.

Victor assentiu, ainda reticente.

— O senhor virá, doutor Walter? — Perguntei, pois Abigail disse que Victor o convidou.

— Infelizmente, não poderei comparecer, já expliquei para Victor. Tenho uma consulta de um paciente meu em Ottawa, que está marcada há meses, terei que viajar amanhã à tarde. Sinto muito. — Explicou.

— Entendo. — Comentei. Victor se pronunciou:

— Se ela sentir qualquer coisa…

— Você me liga — completou o médico. — Victor, ela está bem. Fique tranquilo.

Tranquilo não era exatamente a palavra que definia Victor, mas ele aceitou.

A mansão, naquela manhã, estava completamente diferente. Agitada. Funcionários indo e vindo, flores sendo posicionadas, a mesa da sala de jantar sendo preparada com um cuidado quase exagerado. Era o dia do meu noivado com Victor, e, mesmo sendo algo íntimo, tudo ali parecia carregado de significado.

A noite chegou rápido demais, pareci que nem havia visto o dia passar.

Eu estava no quarto, terminando de me arrumar. Melissa já dormia tranquila no berço. Uma babá contratada ficaria com ela durante o jantar. Eu e Victor achamos melhor assim. Ela era muito pequena para aquele tipo de ocasião.

Quando me olhei no espelho, respirei fundo. Usava um vestido longo, de tecido leve, em tom champanhe, que caía suavemente pelo corpo, marcando a barriga ainda discreta. As alças finas deixavam meus ombros à mostra, e o decote era delicado, elegante. O cabelo estava preso em um coque baixo, com algumas mechas soltas emoldurando o rosto. Maquiagem leve. Eu queria estar bonita, mas sem exageros.

Saí do quarto em direção à sala de jantar.

Quando cheguei à sala de estar, Victor conversava com a sua mãe. Assim que me viu, ele simplesmente… parou. O queixo literalmente caiu. Os olhos percorreram meu corpo com uma mistura de surpresa e admiração tão intensa que me deixou sem reação por um segundo.

— Elisa, você está linda — disse senhora Abigail, quebrando o silêncio e sorrindo.

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