VICTOR BALTIMOR.
Eu tinha uma certa intuição para as coisas e comecei a pensar nos motivos de Damon ter dito que Bianca não era mulher para Pablo. Será que ele viu algo que Pablo não viu? E porque mudou de ideia?
Eu estava pensativa, quando ouvi Pablo falar e voltei minha atenção a ele.
— No começo não vi problema nenhum na aproximação deles e esse foi meu maior erro — continuou. — Nós três saíamos juntos, estudávamos juntos… Ela vivia no nosso apartamento.
— Vocês moravam juntos?
— Eu e Damon dividíamos apartamento na época.
Agora tudo começava a ficar pior. Muito pior. Pablo passou a mão pelo rosto lentamente.
— Eu confiava nele, ele era como um irmão para mim.
O silêncio que veio depois pesou no ambiente. E ali entendi que a ferida ainda estava aberta.
— O que aconteceu? — perguntei mais baixo.
O maxilar dele travou.
— Peguei os dois juntos.
Fiquei em silêncio imediatamente.
— Como assim, juntos?
Ele soltou uma risada amarga.
— Do jeito que você está imaginando.
Porra. Passei a mão na nuca devagar.
— Você os viu transando?
— Vi. Quer dizer, eu os encontrei na cama juntos.
A raiva na voz dele veio crua dessa vez.
— Voltei mais cedo para o apartamento. Eu havia ido visitar meu pai no final de semana, mas resolvi voltar antes, porque tinha na segunda avaliação, eram as provas finais e não podia vacilar. E encontrei ambos se beijando na minha cama.
O escritório ficou em silêncio. Até senti o peso daquilo. Que traição, baixa.
— E o Damon, o que disse?
Pablo soltou outra risada sem humor.
— Damon ficou parado, me olhando como se estivesse em choque.
— Ele tentou explicar?
— Sim, disse que não era aquilo que vi e que podia explicar. Mas eu não quis nem saber. Estava ali na minha frente; o que precisava ser explicado?
Aquilo não me surpreendeu nem um pouco. Eu também não iria querer saber.
— E Bianca, o que disse?
— Chorou. Disse que não planejou se apaixonar por ele. Pediu perdão e saiu correndo sem conversarmos.
Fechei os olhos por um segundo.
— E sabe o que é pior? — Pablo continuou, irritado. — Acho que aquele desgraçado nunca precisou fazer nada.
Aquilo me fez ficar em silêncio por alguns segundos. Então uma coisa me chamou atenção.
— Mas ainda acho que tem alguma coisa faltando nessa história.
Ele me olhou imediatamente.
— O que quer dizer?
Cruzei meus braços.
— Damon não parece homem de ficar correndo atrás da mulher dos outros.
Pablo soltou uma risada debochada.
— Não defenda aquele idiota.
— Não estou defendendo. Só estou dizendo que tem algo estranho aí.
Pablo ficou em silêncio. E aquilo praticamente confirmou minha suspeita. Ainda tinha coisa mal resolvida naquela história.
Antes que eu pudesse insistir mais, meu celular vibrou em cima da mesa. Olhei a tela.
Damon. Franzi a testa e abri a mensagem. Li rapidamente.
E imediatamente minha expressão mudou. Pablo percebeu na hora.
— O que aconteceu?
Levantei lentamente os olhos para ele.
— Damon encontrou alguma coisa sobre Alfredo Star.

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