— E afinal, onde estamos? Você mencionou a borda do seu território, mas… onde? E eu preciso retornar. Tanto o LongFang quanto o ShadowBlood vão começar a me procurar se eu sumir.
Ela ia chamá-lo de “Alfa Sheffer”, mas a ideia era não aborrecer o macho. Não ainda, pelo menos. Okay, ele a havia ajudado, mas ainda assim, não era alguém em quem ela poderia confiar.
“E no momento, não é alguém que eu deva chatear. Não enquanto não conseguir sair daqui. Nem sei onde estou!”
— Eu vou cuidar disso. Diremos que… Você viajou. Está passando um tempo com a sua irmã.
Lucretia cruzou os braços na frente do peito e olhou séria para Kolby, ainda que nos lábios um pequeno sorriso de desdém pairasse.
— Sério? Vai mesmo convencer os outros de que eu estou com a minha irmã? A minha querida meia-irmã? Parece piada! — ela falou, incrédula. — Além disso, vai ser muito interessante quando as notícias chegarem aos ouvidos dela. Deidra vai ficar furiosa. Ela vai desmentir e…
— Não vai. — Kolby a interrompeu e o olhar dele, duro, cheio de ressentimento, fez Lucretia franzir de leve a testa. — Deidra não fará nada. Ela sabe o lugar dela.
Lucretia agora levantou as duas sobrancelhas.
— Ah, é?
— É. Ela sabe quem deve obedecer, sabe que deve manter a boquinha fechada.
— Ou o quê? — Lucretia bufou. — Deidra não vai ficar quieta.
Kolby tentou pegar a mão de Lucretia e ela inicialmente ia puxá-la, mas acabou deixando. Os olhos dele brilharam com esperança e um embrulho se formou no estômago da ruiva.
— Deidra e eu conversamos. Ela não será um problema. Ela não vai sair fofocando pra mãe dela.
Jeane. Esse era sim um grande problema.
— Al… Kolby, Jeane está por trás do que me aconteceu. Tenho quase certeza. Ela vem agindo estranho. E meu pai também. Se você disser que estou com Deidra, ela vai aparecer, não acha?
Kolby passou a língua pelos dentes da frente. Sim, Lucretia tinha razão. Ele podia controlar Deidra, poderia fazer com que ela mantivesse a língua quieta, mas e Jeane? Se ela era a mandante, como ele diria para ela que Lucretia tinha ido passear?
— Então… diremos que você está fazendo ronda. E como o Alfa Jarsdel está ocupado, eu, sendo o seu cunhado, estou ajudando. Sou um Alfa, conheço a região…
Lucretia puxou o ar.
— Pensei que vocês se gostassem.
— Já disse que entre ela e eu não é assim. Ela sabe que errou quando me seduziu. E eu sei que fui burro o suficiente para cair na lábia dela. Mas estou bem desperto, agora, meu amor. Apenas você existe pra mim.
“E vou fazer com que seja a minha Luna,” ele pensou.
Lucretia apenas puxou o ar entre os dentes e não respondeu. Uma vez longe de Kolby, ela investigaria tudo. Claro, ela precisava de Rhys.
— Kolby, você disse que sabe apenas que Rhys não retornou ao bando. — Ela umedeceu os lábios. — Sei que não gosta dele, mas… preciso saber onde ele está.
— Está me pedindo pra procurar pelo outro cara. É isso mesmo?
Lucretia mordeu os lábios e se aproximou mais de Kolby, colocando as duas mãos no peito dele. Ela ouviu um rosnado baixo emanando dele.
— Ele pode nos ajudar. Não vai querer que fiquem falando mal de mim por aí, não é? Dizendo que tô traindo o meu bando, o meu companheiro. Isso me magoaria tanto…
Kolby passou os braços pela cintura de Lucretia com possessividade.

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