Os olhos de Rhys ficaram sombrios na mesma hora e ele precisou se esforçar para não atacar Corrado imediatamente.
— O que quer dizer com isso, Alfa Bellanti? Lucretia é minha noiva.
Corrado limpou a garganta.
— Exatamente. Sua noiva, não sua esposa. — Ele disse. — Ela é minha filha e herdeira do LongFang Pack. Portanto, ela deve ficar aqui e continuar o treinamento dela. Até o casamento.
[“Eu sei que é o lógico, mas eu quero que isso se foda! Lucretia é NOSSA e ela não vai a lugar algum!”] Embry rosnava e lutava por poder, o que tornava tudo mais difícil para Rhys, que precisava se concentrar para não avançar e arrancar a cabeça do Alfa mais velho. Isso acarretaria em problemas desnecessários.
— Alfa Bellanti, acredito que depois de todos esses anos vivendo em animosidade com o ShadowBlood Pack você não vai querer causar um mal-entendido, não é? Minha noiva está comigo. E assim ela vai permanecer. — Ele disse, olhando diretamente nos olhos de Corrado.
Este sentiu um frio descer pela espinha dele, um calafrio incômodo de gelar os ossos. Com a garganta seca, ele negou com a cabeça, porém, apesar do medo, o ressentimento começava a se desenrolar dentro dele.
Após anos sendo acusado injustamente, tendo que ser acusado de ser um Alfa ingrato e um amigo inútil, ele agora precisava acatar as decisões de Rhys Jarsdel como se não fosse um Alfa, como se fosse um mero ômega!
Porém, Corrado não era estúpido, ou não estaria no papel de líder por tantos anos, mesmo quando houve todo o reboliço com a morte do pai de Rhys.
— Muito bem. — Corrado disse. — Mas ela precisa vir ao bando de vez em quando. Ela ainda está em treinamento.
A vontade de Rhys? Dizer a Corrado que ele podia enfiar os treinamentos dele em um certo lugar.
— Conversarei com ela. Agora, se nos dá licença, meu Beta está vindo com a companheira dele.
Nesse momento, Martin chegou, carregando uma mala e com Haylie ao lado. Os dois completamente absortos neles mesmos.
Corrado, mesmo fervendo de raiva, deu um passo para trás e logo, o carro de Rhys sumiu de vista.
Dentro do veículo, Rhys estava no banco da frente, enquanto Lucretia sentava-se perto da janela, quase colada nesta, dando espaço aos dois recém descobertos predestinados.
Ao pedir à deusa que desfizesse aquilo, a única resposta que ele obteve foi que ele só encontraria a predestinada dele quando o coração dele fosse capaz de amar, em vez de apenas odiar. Quando ele pudesse encontrar o perdão dentro dele, ele poderia abrir a alma dele e deixar que o vínculo fosse sentido.
Ninguém sabia dessa condição. Nem mesmo Martin. Por isso, quando Lucretia disse que o ajudaria a ser o Supremo, ele rejeitou a ideia de início. Ela não poderia fazer nada.
E agora, ele estava em um acordo com ela, quando aceitou ser o noivo dela e, futuramente, o marido. E ela nunca poderia cumprir o lado dela na barganha.
Eles chegaram no bando e Rhys desceu do banco do passageiro, indo direto para a packhouse.
— Que cavalheiro, não é mesmo? — Lucretia murmurou baixinho quando Haylie e Martin saíram, também. Os olhos dela estavam na porta pela qual Rhys tinha acabado de passar.
Ela saiu e caminhou sozinha para os jardins. A lua estava alta e Lucretia decidiu que precisava de um tempo para pensar. Ela andou e, após um tempo, acabou sentando-se em um dos bancos.
— O que pensa que está fazendo aqui?

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