— Primeiro me diga, o que exatamente aconteceu?
— Quem fez isso com você? Sofia, como você chegou a esse estado?
O olhar de Felipe para Sofia era de profunda consternação.
Ao observar o rosto dela, que ainda guardava os traços da infância, ele sentiu uma dor inexplicável no fundo do coração.
Houve um tempo em que ela fora a irmãzinha que ele mais amava, e o quanto a amava...
Ele dividia com ela todos os seus doces. Ninguém tinha permissão para tocar em seus aeromodelos, exceto Sofia.
Ele a mimava de todo o coração, cedia às suas vontades e até a ajudava com os deveres de casa, guiando suas mãos. Sempre que tinha tempo livre, brincava com ela.
Mas agora... bem debaixo de seu nariz, ela se encontrava cheia de cicatrizes e hematomas, e ele não fazia a menor ideia do que havia ocorrido.
— Eu... eu...
Sofia soluçava incontrolavelmente. Ao perceber a dor nos olhos de Felipe, ela não resistiu e mergulhou em seus braços:
— Foram... foram a Laís e o Jorge Andrade.
Felipe estremeceu violentamente. Ele cerrou os punhos de forma instintiva, e um brilho gélido surgiu em seu olhar:
— Continue.
— Naquele dia em que você bateu no Jorge no hospital, eu também tinha o vídeo deles. Eles guardaram rancor e... e mandaram aquele Astor me atacar.
Sofia explicou a situação de forma fragmentada, chorando durante todo o tempo:
— Para me forçar a apagar o vídeo, eles... eles mandaram oito homens me... me...
Sofia interrompeu a fala, dominada por uma tristeza devastadora, incapaz de continuar.
Ela chorava a ponto de quase desmaiar, tombando nos braços de Felipe, tremendo como se estivesse prestes a ter uma convulsão.
Felipe tremia incontrolavelmente. A raiva reprimida foi inflamada por completo pelas palavras de Sofia.

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