Laís estranhava camas diferentes e, além disso, a atmosfera da Vila das Rosas e tudo que envolvia o lugar a sufocavam.
Após rolar na cama sem conseguir pregar o olho, ouviu um grito vindo do quarto principal, seguido por um ruído confuso. Não tinha ideia do que estava acontecendo.
Se nada estivesse errado, Felipe jamais perderia a compostura daquela forma.
Pensou por um momento e decidiu ir até lá verificar.
Porém, ao abrir a porta, deparou-se com Felipe e Sofia abraçados.
Sofia usava uma camisola de renda de alcinhas e o paletó de Felipe repousava sobre os ombros.
Já Felipe vestia apenas um roupão de seda preta que estava aberto, sem o cinto amarrado.
A roupa de cama, que Laís comprara no passado, encontrava-se em total desalinho.
Qualquer pessoa com um pingo de bom senso entenderia o que se passara ali.
Passada a perplexidade, Laís lançou-lhes um olhar gélido, sentindo uma repulsa indescritível brotar em seu peito:
— Parece que estou atrapalhando. Podem continuar.
Ditas essas palavras, ela virou-se para ir embora.
Inesperadamente, a voz ríspida de Felipe soou às suas costas:
— Laís, pare aí mesmo!
Laís deteve o passo. Antes que pudesse olhar para trás, ele avançou e a puxou pelo pulso com uma força descomunal:
— Eu nunca imaginei que você fosse tão fria, cruel e perversa no fundo da alma!
Ela ficou estupefata, encarando Felipe de imediato:
— O que foi que eu fiz agora?
Estava completamente confusa.
Eram eles que estavam se agarrando em seu antigo quarto conjugal.
Ela só queria o divórcio, mas fora chantageada a voltar para aquela casa.


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