Laís estranhava camas diferentes e, além disso, a atmosfera da Vila das Rosas e tudo que envolvia o lugar a sufocavam.
Após rolar na cama sem conseguir pregar o olho, ouviu um grito vindo do quarto principal, seguido por um ruído confuso. Não tinha ideia do que estava acontecendo.
Se nada estivesse errado, Felipe jamais perderia a compostura daquela forma.
Pensou por um momento e decidiu ir até lá verificar.
Porém, ao abrir a porta, deparou-se com Felipe e Sofia abraçados.
Sofia usava uma camisola de renda de alcinhas e o paletó de Felipe repousava sobre os ombros.
Já Felipe vestia apenas um roupão de seda preta que estava aberto, sem o cinto amarrado.
A roupa de cama, que Laís comprara no passado, encontrava-se em total desalinho.
Qualquer pessoa com um pingo de bom senso entenderia o que se passara ali.
Passada a perplexidade, Laís lançou-lhes um olhar gélido, sentindo uma repulsa indescritível brotar em seu peito:
— Parece que estou atrapalhando. Podem continuar.
Ditas essas palavras, ela virou-se para ir embora.
Inesperadamente, a voz ríspida de Felipe soou às suas costas:
— Laís, pare aí mesmo!
Laís deteve o passo. Antes que pudesse olhar para trás, ele avançou e a puxou pelo pulso com uma força descomunal:
— Eu nunca imaginei que você fosse tão fria, cruel e perversa no fundo da alma!
Ela ficou estupefata, encarando Felipe de imediato:
— O que foi que eu fiz agora?
Estava completamente confusa.
Eram eles que estavam se agarrando em seu antigo quarto conjugal.
Ela só queria o divórcio, mas fora chantageada a voltar para aquela casa.
— Por favor, Felipe, chega de hipocrisia! Enquanto estiver fazendo essas sujeiras, lembre-se de que o nosso divórcio ainda não foi assinado!
— Vocês não estão apenas cometendo incesto, estão praticando adultério!
Enquanto falava, Laís sacou o celular e não hesitou em tirar fotos e gravar um vídeo da cena.
Ela aprendera a registrar as provas a qualquer hora e em qualquer lugar, para não ficar apenas na palavra e sem argumentos depois.
Felipe estava possesso; a chama no seu peito parecia impossível de apagar.
Apesar de ter sua influência, ver a irmã que havia protegido desde a infância ser humilhada daquela maneira debaixo do seu nariz era o cúmulo do intolerável.
Contudo, ao ouvir os insultos de Laís, ele subitamente lembrou o motivo pelo qual a trouxera de volta para lá.
Naquele momento, tanto no âmbito pessoal quanto profissional, ele precisava trazer Laís para o seu lado.
Se perdesse a razão por causa de Sofia, todos os seus esforços seriam jogados pelo ralo.
Com esse pensamento, sua voz suavizou-se:

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