POV: HAPHEL
Engoli em seco, sentindo as lágrimas se acumularem na linha dos olhos, mas não deixei cair nenhuma. A ardência do corte ainda fresco em minha pele queimava, resultado da garra afiada que ele usou sem hesitar. Mesmo assim, não desviei.
— Foi um da sua espécie que matou a minha mãe? — Disparei, sem rodeios, a voz firme mesmo com o peito apertado. — Como vou saber que você, Sr. Belmont, não é o maldito responsável? Que não está apenas brincando comigo, me usando como parte de algum jogo sujo?
— Se eu quisesse seus pais mortos, Phel, teria eliminado os dois antes mesmo de você existir. — A voz dele veio baixa, carregada de uma frieza calculada que fez minha nuca arrepiar.
Sua mão subiu devagar até minha face, os dedos deslizaram ásperos. A pele formigou sob o toque, um arrepio me percorreu dos ombros até a base da coluna. Ele afastou uma mecha do meu cabelo, prendendo-a atrás da orelha com um gesto surpreendentemente delicado para alguém tão brutal. Mas, no instante seguinte, puxou a mão de volta como se tivesse levado um choque, o cenho franzido, os olhos fixos em mim com algo entre estranheza e... desconforto.
— O que você tem a perder? — Ele perguntou, e a pergunta soou mais pessoal do que deveria.
Dei um passo para trás, sentindo meu peito apertar.
— Eu não confio em você, Aiden! — Soltei, firme, com os olhos cravados nos dele.
— Que ótimo. — A voz dele veio carregada de sarcasmo, e os lábios se curvaram num sorriso frio, perigoso, que me fez travar a respiração por um segundo. — Isso só prova que você não é tão ingênua quanto aparenta ser.
Ele deu um passo à frente, e cada centímetro que encurtava entre nós tornava o ar mais denso.
— Não estou aqui para conquistar sua confiança... muito menos seu amor ou companheirismo, Haphel. — O nome saiu arrastado da boca dele, como uma provocação pessoal. — Eu sou um Alfa. Ambicioso. Obcecado pelo topo da hierarquia lupina.
Aiden inclinou o rosto levemente, os olhos queimando em cima dos meus.
— E você... — O tom abaixou, rouco, direto. — Você é o meio. O meio para o meu fim.
Ele se aproximou ainda mais, o calor do corpo dele me cercando, o olhar cravado no meu como se esperasse minha queda.
— Assim como eu posso ser... o seu recomeço!
Fiquei em silêncio por alguns segundos, avaliando. Meu olhar percorreu devagar o corpo dele: ombros largos, braços fortes, a camisa colada ao torso evidenciando cada linha do músculo bem definido. Ele era o tipo de homem que sabia o próprio efeito. Havia cicatrizes discretas espalhadas ali, marcas que exigiam atenção para serem notadas, mas que denunciavam história.
Parei na boca. Fina, bem delineada... malditamente convidativa.
E então encontrei os olhos dele. Intensos, dourados, com aquele brilho predador que cintilava de tempos em tempos como um aviso silencioso. A sobrancelha arqueada completava a expressão como se dissesse: “Vamos lá, admita que gostou do que viu.”
— Gostou do que viu? — Aiden rosnou baixo, a voz arrastada, o olhar semicerrado.
Virei o rosto no reflexo, sentindo minhas bochechas aquecerem. O calor subiu rápido, me fazendo corar contra a minha vontade.
— Como funcionaria esse... “casamento”? — Perguntei com a voz mais firme do que eu realmente sentia. Eu precisava entender minhas opções. Algo me dizia que ele não me deixaria simplesmente virar as costas e sair por aquela porta. — O que eu teria que fazer?
Me afastei no reflexo, e claro, isso o divertiu. O canto de sua boca se curvou como se estivesse ganhando um jogo que eu nem tinha concordado em jogar.
— Você usará o colar o tempo inteiro. — A voz dele veio firme, sem espaço para negociação. — Inclusive durante o sono... e no banho. Nunca o tire.
O tom dele mudou. Frio. Controlado. Assustador na medida certa. Seus olhos me analisavam como se cada detalhe do meu corpo fosse uma informação que ele já possuía.
— Por quê? — Perguntei, mordendo o interior da bochecha, tentando manter a calma mesmo com o sangue correndo acelerado nas veias.
Aiden não respondeu de imediato, seu olhar percorreu minha pele como se estivesse marcando território apenas com os olhos.
— O colar camufla sua essência humana. — Ele se aproximou mais um passo, o corpo dominante invadindo meu espaço pessoal com facilidade. — E além disso... — Pausou, a voz mais grave. — Eu vou marcá-la com o meu cheiro, Haphel. Para que todos saibam... que você é minha.
O tom dele mudou. Ficou mais baixo, carregado, com um traço possessivo que fez os pelos da minha nuca arrepiarem. Os olhos dourados cintilaram, mas agora com uma intensidade predatória clara, como se ele estivesse pronto para avançar.
— Me marcará com o seu cheiro? — Arqueei uma sobrancelha, sem esconder a confusão. Um arrepio subiu pela base da coluna até explodir na nuca. — E como exatamente você pretende fazer isso?
Aiden inclinou levemente a cabeça, como se saboreasse a pergunta. O sorriso que surgiu no canto da boca foi lento, descarado, perigoso.
— Haphel... — A voz dele saiu mais grave, quase um sussurro arrastado. — Como você acha que um homem deixa o próprio cheiro em uma mulher?

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