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A VETERINÁRIA DO ALFA SOMBRIO romance Capítulo 10

POV: HAPHEL

Engoli em seco, sentindo as lágrimas se acumularem na linha dos olhos, mas não deixei cair nenhuma. A ardência do corte ainda fresco em minha pele queimava, resultado da garra afiada que ele usou sem hesitar. Mesmo assim, não desviei.

— Foi um da sua espécie que matou a minha mãe? — Disparei, sem rodeios, a voz firme mesmo com o peito apertado. — Como vou saber que você, Sr. Belmont, não é o maldito responsável? Que não está apenas brincando comigo, me usando como parte de algum jogo sujo?

— Se eu quisesse seus pais mortos, Phel, teria eliminado os dois antes mesmo de você existir. — A voz dele veio baixa, carregada de uma frieza calculada que fez minha nuca arrepiar.

Sua mão subiu devagar até minha face, os dedos deslizaram ásperos. A pele formigou sob o toque, um arrepio me percorreu dos ombros até a base da coluna. Ele afastou uma mecha do meu cabelo, prendendo-a atrás da orelha com um gesto surpreendentemente delicado para alguém tão brutal. Mas, no instante seguinte, puxou a mão de volta como se tivesse levado um choque, o cenho franzido, os olhos fixos em mim com algo entre estranheza e... desconforto.

— O que você tem a perder? — Ele perguntou, e a pergunta soou mais pessoal do que deveria.

Dei um passo para trás, sentindo meu peito apertar.

— Eu não confio em você, Aiden! — Soltei, firme, com os olhos cravados nos dele.

— Que ótimo. — A voz dele veio carregada de sarcasmo, e os lábios se curvaram num sorriso frio, perigoso, que me fez travar a respiração por um segundo. — Isso só prova que você não é tão ingênua quanto aparenta ser.

Ele deu um passo à frente, e cada centímetro que encurtava entre nós tornava o ar mais denso.

— Não estou aqui para conquistar sua confiança... muito menos seu amor ou companheirismo, Haphel. — O nome saiu arrastado da boca dele, como uma provocação pessoal. — Eu sou um Alfa. Ambicioso. Obcecado pelo topo da hierarquia lupina.

Aiden inclinou o rosto levemente, os olhos queimando em cima dos meus.

— E você... — O tom abaixou, rouco, direto. — Você é o meio. O meio para o meu fim.

Ele se aproximou ainda mais, o calor do corpo dele me cercando, o olhar cravado no meu como se esperasse minha queda.

— Assim como eu posso ser... o seu recomeço!

Fiquei em silêncio por alguns segundos, avaliando. Meu olhar percorreu devagar o corpo dele: ombros largos, braços fortes, a camisa colada ao torso evidenciando cada linha do músculo bem definido. Ele era o tipo de homem que sabia o próprio efeito. Havia cicatrizes discretas espalhadas ali, marcas que exigiam atenção para serem notadas, mas que denunciavam história.

Parei na boca. Fina, bem delineada... malditamente convidativa.

E então encontrei os olhos dele. Intensos, dourados, com aquele brilho predador que cintilava de tempos em tempos como um aviso silencioso. A sobrancelha arqueada completava a expressão como se dissesse: “Vamos lá, admita que gostou do que viu.”

— Gostou do que viu? — Aiden rosnou baixo, a voz arrastada, o olhar semicerrado.

Virei o rosto no reflexo, sentindo minhas bochechas aquecerem. O calor subiu rápido, me fazendo corar contra a minha vontade.

— Como funcionaria esse... “casamento”? — Perguntei com a voz mais firme do que eu realmente sentia. Eu precisava entender minhas opções. Algo me dizia que ele não me deixaria simplesmente virar as costas e sair por aquela porta. — O que eu teria que fazer?

10 – CASE-SE COMIGO 1

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