POV: HAPHEL
Fui literalmente jogada para dentro do carro, antes que conseguisse reagir, o cinto travou sobre meu peito, me prendendo. Ele abriu o porta-luvas, pegou algo e, sem dizer uma palavra, se inclinou sobre mim.
Sua respiração roçou em meu rosto. Quente. Controlado. Provocante.
A ponta dos seus dedos deslizou por minha pele, traçando meu maxilar com lentidão absurda. Senti um arrepio me subir pela espinha, e, por reflexo, travei o maxilar. Mas os olhos dele… não piscavam. Eram fixos aos meus. Duros. Implacáveis. E perigosamente hipnotizantes por seus tons amarelos.
— Para com isso... por favor... — murmurei, com a voz falhando no meio da frase. — Eu juro que vou gritar, você está completamente maluco! Isso é crime!
Ele não respondeu. Apenas subiu a mão e prendeu meus cabelos com firmeza, puxando-os para cima, expondo meu rosto.
— Solta. — Tentei afastá-lo, mas ele ignorou.
Com um movimento preciso, encaixou uma venda sobre meus olhos. O mundo escureceu em um estalo, minha respiração disparou.
— O que está fazendo? — Entrei em pânico, mordi o lábio e comecei a me debater, contorcendo o corpo como se aquilo fosse me livrar do controle dele. — Você não pode fazer isso, não pode me sequestrar! A polícia vai perceber! Eu sumir assim do nada é o tipo de coisa que dá cadeia, seu lunático!
— Ninguém vai perceber, Haphel. — A voz dele veio grave, baixa, cortante. — Foi você quem disse... que não tem mais ninguém, ninguém notará o seu sumiço.
Parei de lutar. Não porque quisesse, mas porque as palavras dele bateram fundo, mais do que eu estava pronta para admitir. A venda escondia meus olhos, mas não podia esconder as lágrimas quentes que escaparam, molhando minha pele. Mordi o lábio com força, tentando engolir a sensação de estar completamente à mercê dele.
— Por que você está fazendo isso comigo? — Minha voz saiu baixa, com o nó na garganta. Suspirei, tentando controlar a respiração que estava descompassada.
Encostei a cabeça no encosto do banco, o corpo rígido, e ergui o rosto em direção de onde sentia o calor dele, tão próximo que parecia me cercar.
— O que você quer de mim? — Forcei a pergunta, a voz vacilando. — Quem diabos é você de verdade?
Senti seus dedos subindo pelo meu pescoço, quentes, ásperos, firmes, até capturarem meu queixo. Sua mão bruta me obrigou a manter a cabeça erguida, imobilizada sob o seu controle. O hálito quente roçava na minha pele sensível, perto demais da minha boca, como se ele testasse o limite.
— Você viria até mim de qualquer forma, Raposinha. — Ele falou baixo, quase um rosnado, carregado de certeza. Seu cheiro me cercava, forte, viril, impossível de ignorar. — É o nosso destino.
— Destino? — Arqueei as sobrancelhas, inclinando levemente para a frente, e nossos lábios roçaram por acidente. O som grave do rosnado dele me fez congelar. Afastei o rosto, engolindo seco. — Eu não quis... eu...
— Cuidado, Haphel... — Sua voz desceu para um tom grave, carregado de ameaça e uma calma irritante. — Não sou alguém que você queira provocar.
Senti sua mão afundar o encosto do banco, o corpo dele praticamente me cercando, a presença sufocante, como se me prendesse ali de propósito. O calor da respiração dele bateu no meu ouvido quando sussurrou, baixo e intenso:
— Mesmo que seja tentador.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A VETERINÁRIA DO ALFA SOMBRIO