POV: AIDEN
“Ela tem um cheiro bom.” Meu lobo ergueu o focinho, analisando a humana de olhos acobreados que me fitava como se quisesse me atravessar com o olhar.
“Gosto da forma como ela nos encara, como se quisesse nos matar.”
— Se você esteve com o colar o tempo todo, por que fingiu não saber quem eu sou? — Sua voz elevou, mesmo com a respiração acelerada. O queixo erguido, a raiva escorrendo pelos olhos. — Por que me sequestrou? Do que se trata essa dívida com o meu pai?
— Tantas perguntas de uma vez... — Dei de ombros, passando os dedos devagar pelo seu braço, só para ver a forma como ela endurecia ao meu toque. — Isso não importa. O que importa é que, agora, você está sob os meus domínios.
— Quem diabos é você de verdade?! — Haphel me empurrou, os olhos queimando raiva e confusão.
Um rosnado escapou da minha garganta, baixo, carregado de aviso. Os olhos dela se arregalaram, mas ela não recuou.
— O que você é, Aiden?
Sorri de canto, mostrando as presas, e inclinei o corpo até sentir o dela pressionado contra a parede.
— Não se preocupe, raposinha. Vai descobrir em breve. — Arqueei uma sobrancelha, sem esconder o tom de arrogância. — E vamos passar muito tempo juntos, goste você ou não.
Me afastei devagar, sentindo uma fisgada estranha percorrer meu corpo. Tirei a mão da pele quente dela antes que algo em mim saísse do controle. Caminhei até a cadeira e me sentei, puxando uma pasta e a empurrando sobre a mesa.
Haphel me olhava confusa, o cenho franzido e a respiração pesada.
— Como assim, passaremos muito tempo juntos? — Ela exclamou, incredulidade.
Avançou dois passos, pegando o documento e abrindo as folhas com pressa. Seus olhos se arregalaram.
— Essas fotos... — Virou uma página, o rosto corando. — Na faculdade... na reserva... — Olhou para mim, furiosa. — Você estava me seguindo? Por acaso é algum tipo de perseguidor?
Cruzei os braços, analisando cada reação dela, lento, proposital.
— Estava investigando você, Haphel. — Minha voz saiu controlada, quase preguiçosa. — Te conhecendo melhor.
— Como você conseguiu isso? — Ela ergueu a foto bem na minha frente, os olhos em chamas. — Isso é invasão de privacidade! Que tipo de pervertido você é, Aiden?
— Se não queria ser observada, não deveria nadar com roupas tão... generosas. — Respondi, encostando no encosto da cadeira com calma. — Especialmente em um rio aberto.
Ela travou. O rosto corou de raiva. Apertou os dedos na foto amassando e jogando sobre a mesa.
— Você não tem este direito!
— A culpa não é minha se você tem o péssimo hábito de atrair atenção ou predadores. — Cruzei os braços, mantendo o tom neutro, divertido. — Mas isso não vem ao caso, Haphel, temos assuntos a serem tratados.
— Sou um Alfa de palavra, Haphel. — Raspei as garras no chão, próximo o bastante para vê-la estremecer. — Com uma dívida indesejada. E vou te manter segura. Mas...
Coloquei os caninos à mostra, rosnando alto, cada som carregado de ameaça. Ela me encarou, chocada, puxando as pernas para trás, desesperada para alcançar a maçaneta da porta.
— Como... como isso é possível? — gaguejou, a voz trêmula. — Que tipo de monstro você é? Lobos não falam!
Parei a poucos centímetros de seu corpo, ainda em minha forma lupina, a impondo com minha presença maior e mais pesada que a dela. Voltei à forma humana em um piscar de olhos, observando sua expressão ficar pálida. Ela estava travada, confusa, mas ainda assim me encarava.
Estendi a mão em sua direção, mantendo a postura firme e ereta.
— Posso manter minha palavra de duas formas, Haphel. — Inclinei a cabeça, arqueando uma sobrancelha, o olhar fixo nela. — Ou te mantenho segura em uma cela, como minha prisioneira, ou você se comporta, senta e escuta o que tenho para te propor. — Apertei os olhos, o tom baixo e firme. — O que vai ser, raposinha?
— Eu... eu... — Ela respirou fundo, a voz tremendo, e balançou a cabeça, confusa. — Acho que enlouqueci. Isso não pode estar acontecendo. Um homem que se transforma em lobo? Uma fera... falando?
Haphel começou a rir, descrente, passando as mãos pelos cabelos enquanto me observava. O riso morreu aos poucos quando percebeu que meu semblante continuava sério.
— Isso não é real, né? — Ela limpou a garganta, tentando retomar o controle. — Tá, certo... digamos que eu acredite que você é um tipo de... lobisomem? É isso que você é? — Ela me encarou, como se esperasse uma resposta impossível. — Como minha mãe te conheceu? E por que você deve algo aos meus pais?
Haphel avançou um passo, ficando tão perto que pude sentir o calor de sua respiração entrecortada. Seu olhar acobreado estavam afiados cravados nos meus, o queixo erguido mostrava que ela não tinha a menor noção do quanto eu era perigoso.
— Que tipo de proposta um monstro como você teria para uma humana como eu? — Ela perguntou, o tom carregado de ironia. — Será que está precisando de uma veterinária para o seu lobo, Sr. Belmont?

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