Estávamos dentro do carro, fazendo o caminho de volta para casa. Confesso que, não existia algo mais agonizante do que o silêncio de Arson.
Ele sabe bem como matar alguém, com seus próprios pensamentos.
— Você vai vê-la? - Perguntei me virando para o olhar.
— Do que está falando? - Perguntou Arson, com sinismo. — Então é por isso que estava calada até agora?
Quando ele se pronunciou, me virei o encarando.
— O que acha? Do nada ela aparece viva e você fica estranho. Ainda gosta dela? - Perguntei o vendo frear o carro bruscamente, o jogando para o acostamento.
— Quando ouviu de mim que eu gostava dela, Lavine?
Ele falou! Ele falou o meu nome e aquilo queria dizer que, eu estava entrando em uma zona de perigo.
Arson soltou o cinto de seguranças e então, segurou o volante, deitando a cabeça em cima do braço. Ele permaneceu ali por mais alguns instantes, até voltar para o lugar e me encarar.
— Me fala, quando demonstrei gostar dela? Eu nuncative nenhum tipo de interesse por ela, Lavine. Você não percebe? Não entende que sempre foi você? - Perguntou ele, com a voz mais calma.
Ele estava esgotado e era nítido.
— Desculpa! - pedi com a voz baixa, arrependida pelo que eu havia dito. Respirei fundo e então, continuei a falar.
— Eu poderia culpar hormônios e a tal da insegurança, mas a verdade é que, eu não sei o que está pensando. É horrivel ter a sensação de estar sendo desprezada, quando sei que sua cabeça apenas está uma bagunça.
Ele respirou fundo e passou a mão nos cabelos, o bagunçando.
— Eu sei, desculpa, não é culpa sua. Só estou arrumando um meio de organizar a minha mente e resolver isso, sem que ninguém mais se machuque.
— Você realmente não fará nada contra ela? - Perguntei tendo os olhos dele em mim.
— O quê, quer que eu faça tudo do meiu jeito? - perguntou Arson, me vendo movimentar a cabeça em negação.
— Não! Queremos paz, lembra. Talvez isso seja um teste do destino, para nós. - Respondi o vendo fechar os olhos e se encostar no encosto do banco.
— O que faço então, Angel? - Disse ele, tentando parecer calmo, mas eu sabia bem o caos que estava a mente dele.
— Você deveria ir!
— O quê? - Perguntou ele, abrindo os olhos e me encarando confuso. — Por que disse isso?
— Porque tem um motivo atrás de tudo! - Falei, tentando ser coerente.
Respirei fundo o vendo ainda me encarar com os olhos repletos de confusão e então sorri.
Sorri leve, sem exibir muito. Não tinha nada de engraçado ali, mas como eu poderia o passar confiaça, se eu mesma não confiava nas minhas palavras?
— Quando digo que, as pessoas têm um motivo atrás de cada ação, nem sempre elas estão certas para tomarem certas atitudes, mas elas não se importam na hora de agir, somente depois.
— O que quer dizer? Estou com a cabeça cheia que pareço não conseguir entender palavras simples. - Disse Arson, respirando fundo.
— É exatamente isso! Se ela estivesse aqui, provavelmente você teria agido pela emoção, como ela fez. E agora, a culpa está a pertubando. E na cabeça dela, Emily estava correta o tempo todo. Você precisa descobrir os códigos certos, para desarmar essa bomba.
— Acha que vou conseguir? Digo, olha pra gente? Nossos filhos, vocês... Eu não vou conseguir encarar ela e não fazer nada! - Disse Arson, completamente atordoado, porém, sincero.
— Eu vou com você! - Respondi, segurando a mão dele com mais força. — Não vou te deixar sozinho!
— Não quero! - Disse ele, me soltando. — Olha para você? Sem estresse, sem raiva, gravidez saudável... Como quer que eu me sinta?
— Confiante! - Respondi sorrindo. — Ela está em uma clínica psiquiatra, se recuperando. O que acha que vai acontecer de mais? E outra, podemos trazer a sua mãe para o nosso lado.
— Lavine, ela não é a minha mãe! - Disse ele, com ira.
Arson era bem rancoroso, as vezes.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem de Luxo
Qdo vão liberar os capítulos ???lento demais...