POV: SKY BITTENCOURT
Os lábios do Rocco encostaram nos meus úmidos e quentes, forçando passagem da língua. O cheiro dele me atingiu em cheio, aquela mistura familiar de madeira nobre com um toque cítrico e limpo, impregnando o ar do carro. A mão grande dele subiu direto para a minha nuca, enfiando os dedos compridos na raiz do meu cabelo e puxando os fios com força para trás, travando a minha cabeça no ângulo exato que ele queria.
A língua dele entrou direto na minha boca, deslizando contra a minha, misturando a saliva e o calor em um atrito bruto que roubou o meu fôlego de uma vez. O choque térmico do toque dele espalhou uma onda quente pelo meu abdômen, fazendo minha pele inteira arrepiar sob o tecido fino do vestido. Era um magnetismo absurdo: bastava a boca do Rocco encostar na minha para o meu corpo perder a firmeza, como se meus ossos derretessem e virassem líquido nas mãos dele. O estalo úmido do beijo preencheu a cabine fechada.
Joguei meu peso por cima do console central até a borda de couro prensar as minhas costelas, colando o meu peito no dele o máximo que o espaço permitiu. Meu coração batia tão rápido que parecia pulsar na garganta. Cravei as unhas no tecido da camisa social dele, sentindo os músculos do peitoral endurecerem sob a ponta dos meus dedos enquanto a respiração quente dele batia contra o meu rosto e ele sugava o meu lábio inferior com força.
Quando ele finalmente me soltou, encostou a testa na minha com a respiração descompassada e a boca vermelha e molhada. Olhei para aqueles olhos verdes cravados nos meus e senti um calor manso se espalhar pelo peito. Ele conseguia ser intimidador e absurdamente fofo ao mesmo tempo quando ficava emburrado por minha causa.
— Você ainda vai me matar de infarto, Sky. Juro por Deus.
— Pelo menos você morre fazendo o que gosta.
— Reclamando das suas loucuras?
— Me beijando, seu idiota.
Ele soltou uma risada baixa que fez o peito dele vibrar contra a minha mão, e me deu um selinho estalado antes de se afastar.
Rocco puxou o cinto de segurança do meu lado, passou a fita pelo meu busto e travou no encaixe metálico com um clique seco. Aproveitou a proximidade para roçar a boca na curva da minha bochecha, me fazendo suspirar com o calor da respiração dele na minha pele, antes de ligar o motor.
— Agora falando sério. Quem era aquele infeliz do gás?
— Era um técnico da companhia, Rocco! Já expliquei. Ele foi checar a pressão dos canos de cobre e a válvula do aquecedor de água. Disse que precisa trocar uma peça na semana que vem.
Rocco olhou para a fachada descascada do sobrado e franziu a testa, reprovando o lugar inteiro com os olhos.
— Esse prédio é velho demais, Sky. Eu preferia que você fosse para o meu apartamento ou ficasse em outro lugar com o seu pai. Lá você tem espaço, tem estrutura e não precisa esquentar a cabeça com encanamento podre.
Virei para ele na mesma hora, balançando a cabeça.
— Não, senhor. Eu quero ficar aqui. Aqui é a minha casa, é o meu canto e foi onde eu e a Moon reconstruímos tudo. Meu pai vai ficar confortável no quarto dele.
Rocco me encarou por alguns segundos, medindo a minha teimosia com aquele meio-sorriso conformado de quem sabe que não vai me dobrar no argumento.
— Ok, então. Teimosa. Mas terça-feira eu vou com você no hospital.
— Sei... você está é com medo de eu ficar sozinha com o técnico bonitinho.
— Bonitinho? — ele repetiu a palavra como se tivesse levado um insulto pessoal.

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