POV: NATHAN
— Baby, vamos entrar?
A voz de Kiwi chegou até mim por cima da música abafada que escapava de algum ponto mais distante do Ambrosia, mas demorei alguns segundos para entender que ela estava falando comigo.
Eu tinha parado no meio do corredor.
Aquela parte do clube era reservada às salas privadas. O corredor largo tinha paredes escuras, iluminação baixa embutida próxima ao chão e pequenas arandelas que lançavam uma luz quente sobre cada porta. O carpete grosso abafava os passos, deixando o lugar estranhamente silencioso apesar do movimento de pessoas entrando e saindo das suítes.
Kiwi já estava diante da porta do quarto reservado para nós, com uma das mãos apoiada na maçaneta e o corpo virado na minha direção. Usava um conjunto preto de lingerie sob uma espécie de robe curto e transparente, aberto na frente, além de saltos altos que faziam suas pernas parecerem ainda mais longas. Exatamente o tipo de produção que eu esperava quando tínhamos marcado aquela noite.
Eu também tinha me vestido para estar ali. Camisa social preta, mangas dobradas até os antebraços, dois botões abertos no peito, calça da mesma cor e sapatos escuros. Nada diferente do que costumava usar no Ambrosia.
Em qualquer outra circunstância, eu já teria atravessado aquele corredor sem prestar atenção em mais ninguém.
Mas havia uma mulher alguns metros adiante.
Meu olhar tinha grudado nela.
Pisquei e passei a mão pelos olhos antes de olhar de novo.
Não.
Soltei o ar devagar e balancei a cabeça.
Não era possível.
— Nathan?
Ignorei Kiwi mais uma vez.
A mulher estava de costas, conversando com um dos Doms do clube perto de outra porta. Reconheci Ares pela roupa antes mesmo de ver seu rosto direito. Calça preta, camisa de mangas compridas ajustada ao corpo e o discreto símbolo metálico preso próximo à gola que identificava alguns dos membros mais antigos. Ele trabalhava ali havia tempo suficiente para eu saber quem era, embora nunca tivéssemos trocado mais do que algumas palavras.
Meu problema não era ele.
Era ela.
O cabelo preto, longo e liso caía pelas costas quase até a cintura. O vestido curto acompanhava o corpo magro, justo da cintura até os quadris, com alças finas deixando os ombros expostos. Era preto, como quase tudo naquele andar, mas pequenos detalhes metálicos refletiam a iluminação baixa sempre que ela se movimentava. Uma gargantilha estreita envolvia seu pescoço. Abaixo da barra do vestido, as pernas seguiam cobertas por meias pretas até pouco acima dos joelhos, deixando uma faixa de pele exposta antes do tecido da roupa.
Meu olhar desceu até os saltos.
Subiu novamente.
A altura.
A curva da cintura.
O jeito de apoiar o peso mais sobre uma das pernas enquanto escutava alguém falar.
Meu estômago apertou.
— Não — murmurei.
A mulher riu de alguma coisa que Ares disse, levando uma das mãos até os cabelos e colocando uma mecha atrás da orelha.
Eu conhecia aquela risada.
— Não, não, não...
Como se tivesse escutado meus pensamentos, ela virou o rosto.
A luz quente da arandela atingiu seu perfil primeiro. Os traços coreanos delicados, os olhos escuros, a boca que eu conhecia bem demais.
Então os olhos encontraram os meus.
Sakura.
Meu cérebro simplesmente parou.
Ela também ficou imóvel por um instante. A mão ainda estava próxima do cabelo. O sorriso desapareceu devagar, e seus olhos se arregalaram antes de percorrerem meu corpo, da camisa preta até meu rosto.
Era ela.
Era realmente ela.
Sakura estava no Ambrosia.
Vestida para uma sessão.
— Que porra...
Ares se aproximou dela para dizer alguma coisa. Vi Sakura inclinar um pouco o rosto para escutá-lo.
Então a mão dele pousou na cintura dela.
Os dedos ficaram sobre o vestido preto.
Alguma coisa dentro de mim estourou.
Não pensei.
Comecei a andar.
Meus passos atravessaram rapidamente o corredor enquanto eu mantinha os olhos presos naquela mão.
— Nathan? — Kiwi chamou novamente.
Passei direto.
Sakura percebeu que eu estava indo em sua direção. Endireitou o corpo e abriu a boca, provavelmente para dizer alguma coisa, mas cheguei antes.
Minha mão fechou no pulso de Ares e afastou a dele da cintura dela.
— Tira a mão dela.
Ares olhou primeiro para meu braço e depois para meu rosto.
— Solta.
— Eu conheço ela.
— Não perguntei se conhece. Solta ela.
Sakura deu um passo para o lado e puxou o próprio braço para longe de nós.
— Nathan, que porra você está fazendo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário