POV: NATHAN
— Você ficou louco?
Talvez.
Naquele momento, provavelmente.
— Vem comigo.
Puxei-a na direção da porta onde Kiwi ainda nos observava.
Sakura travou os saltos no carpete.
— Não vou.
— Sakura, não testa a minha paciência.
— Sua paciência? — Ela soltou uma risada incrédula e apontou para Kiwi. — Vai cuidar da sua sei lá.
Tentei puxá-la novamente.
Sakura fincou os pés ainda mais.
— Me solta!
Algumas pessoas mais adiante começaram a olhar em nossa direção.
— Para de fazer escândalo.
A boca dela se abriu.
— EU estou fazendo escândalo?
Ares deu um passo à frente.
— Se ela não quer ir com você...
— Eu vou resolver.
— Nathan!
Sakura tentou se desvencilhar outra vez. O cabelo caiu sobre seu rosto durante o movimento, e ela soprou uma mecha para longe dos olhos enquanto continuava tentando arrancar o braço da minha mão.
Olhei pelo corredor mais uma vez.
Diego podia aparecer a qualquer momento.
Que se foda.
Abaixei de uma vez, passei um braço por trás das pernas dela e a ergui.
Sakura soltou um grito.
— NATHAN!
O cabelo preto despencou para a frente quando joguei seu corpo sobre meu ombro.
— Me põe no chão!
— Para de se mexer.
— EU NÃO SOU UM SACO DE BATATA!
Ela começou a se debater, e um dos saltos quase acertou minha perna. A mão dela bateu nas minhas costas.
— Seu filho da puta! Me põe no chão!
Segurei melhor suas pernas para impedir que ela caísse e caminhei em direção ao quarto.
— Outra hora, Ares.
— Nathan!
Empurrei a porta e entrei no quarto que Kiwi e eu usaríamos.
A iluminação ali dentro era ainda mais baixa do que no corredor. Luzes indiretas corriam pelas laterais das paredes escuras e deixavam o centro do cômodo em uma penumbra quente. Uma cama grande ocupava boa parte do espaço, com cabeceira acolchoada e estrutura resistente. Havia uma chaise próxima à parede, uma pequena mesa com água, taças e uma garrafa ainda fechada, além de um armário escuro embutido ao lado de um espelho comprido.
Coloquei Sakura de volta no chão sobre o tapete grosso ao lado da cama.
Ela cambaleou por causa dos saltos, apoiou uma mão no colchão para recuperar o equilíbrio e imediatamente veio para cima de mim.
— Você perdeu a porra da cabeça?
Fechei a porta pesada atrás de nós. O clique da trava abafou ainda mais os ruídos do corredor.
— Provavelmente.
— Abre.
— Não.
Sakura tentou passar por mim.
Desloquei o corpo e bloqueei o caminho.
— Sai da frente.
— Não.
Ela colocou as duas mãos no meu peito e me empurrou. Meus sapatos deslizaram poucos centímetros sobre o tapete.
— Você não manda em mim.
— Eu sei.
— Não parece!
Passei as mãos pelo rosto e puxei o ar lentamente, tentando recuperar algum controle.
Foi um erro olhar novamente para ela.
Sakura estava no meio daquele quarto preparado para uma sessão, os cabelos bagunçados depois de ter sido carregada no meu ombro, o vestido preto ligeiramente torto no corpo e uma das alças caída perto do braço. Ela percebeu e a colocou de volta no lugar com um movimento irritado.
— Olha para você.
Sakura abriu os braços.
— Estou olhando.
— Você não tem que estar aqui.
— E você tem?
— É diferente.
— Por quê?
— Porque...
Parei.
Porque era Sakura.
Porque a ideia de Ares fechando uma porta como aquela com ela fazia meu estômago se retorcer.
Porque eu conseguia suportar quase qualquer coisa desde que não precisasse imaginar outro homem colocando as mãos nela.
Meu olhar parou na gargantilha preta ao redor de seu pescoço.
— Porque você é inocente.
Sakura ficou em silêncio.
Então os lábios brilhantes se curvaram devagar.
— Inocente?
— Você entendeu.
Ela caminhou na minha direção.
O primeiro salto afundou levemente no tapete.
Depois o outro.
Sakura parou diante de mim e ergueu o rosto para alcançar meus olhos.
— Você tirou a minha inocência, não foi mesmo?

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