POV: NATHAN
Soltei uma risada sem humor e passei as duas mãos pelo rosto. Meus dedos ficaram presos por um instante nos cabelos antes de descerem novamente.
— Eu estou ficando maluco.
Ela me encarou em silêncio.
Aproximei-me mais.
— Ele tocou em você?
Sakura não respondeu.
— Você deixou aquele cara tocar em você? Beijar você? Ele sentiu seu cheiro? Seu gosto?
— Nathan...
— Você transou com ele?
Ela ainda tentou sustentar meu olhar. Por alguns segundos, não consegui saber se Sakura estava prestes a confirmar tudo de novo ou mandar que eu fosse cuidar da minha vida.
Então ela soltou o ar e balançou a cabeça.
— Não.
Fiquei olhando para ela.
— O quê?
— Eu não transei com Pablo.
O alívio bateu tão forte que minhas pernas quase relaxaram.
Fechei os olhos e soltei o ar que nem tinha percebido que estava prendendo.
Durou pouco.
Quando tornei a encará-la, Sakura já estava mordendo o lábio, tentando segurar o sorriso.
— Sua...
O canto da boca dela subiu.
Apontei um dedo em sua direção.
— Não ri.
Ela riu.
— Sakura, eu estou falando sério.
— Você precisava ter visto sua cara.
— Sua desgraçada.
Ela levou a mão à boca, mas isso só piorou. Os ombros começaram a sacudir enquanto tentava segurar a risada.
— Não tem graça!
— Tem bastante.
— Você acabou de me fazer imaginar aquele filho da puta com você!
— Eu não mandei você imaginar com tantos detalhes.
— Você falou que transou com ele!
— E você acreditou.
— Porque você falou olhando na minha cara!
Sakura riu outra vez e passou a mão pelos cabelos, jogando-os para trás do ombro.
Passei a mão pela cabeça e virei de costas por alguns segundos. Atravessei dois passos em direção à cama antes de parar.
Eu ainda conseguia ouvir a merda do gemido imaginário na minha cabeça.
— Porra, Sakura.
— Eu não transei com ele — repetiu, agora sem rir tanto. — E é justamente por isso que estou aqui.
Parei.
Virei devagar.
O alívio desapareceu tão rápido quanto tinha chegado.
— Como é?
Sakura ajeitou uma das alças finas do vestido, que tinha escorregado um pouco durante nossa discussão.
— Eu quero experimentar.
— Experimentar o quê?
Ela ergueu uma sobrancelha.
Meu olhar saiu do rosto dela e percorreu o quarto.
A cama.
A cabeceira reforçada.
O armário escuro embutido na parede, onde ficavam os acessórios destinados às sessões.
A chaise.
O espelho comprido.

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