POV/ NATHAN
Virou-se novamente.
Dessa vez alcancei sua mão.
— Aonde você vai?
— Fazer exatamente o que eu vim fazer.
— Não.
— Nathan.
— Não.
Ela virou de frente para mim e puxou a mão, mas meus dedos permaneceram fechados nos dela.
— Então faz você.
Meu corpo ficou imóvel.
A frase pareceu permanecer entre nós.
— O quê?
Sakura soltou os dedos dos meus um por um até conseguir libertar a mão.
— Você ouviu.
— Não começa.
Ela se aproximou.
O salto dela quase encostou na ponta do meu sapato. Sakura ergueu o rosto e me encarou diretamente.
— Ou você faz comigo o que eu vim fazer aqui, ou eu saio por essa porta e beijo o primeiro homem que encontrar.
Meu coração bateu mais forte.
Ela estava perto demais.
O perfume dela chegava a cada respiração. Meu olhar caiu para sua boca, para o brilho nos lábios, antes de subir novamente.
Sakura percebeu.
Os lábios dela se curvaram.
— E então?
Eu queria.
Essa era a pior parte.
Queria desde muito antes de entrar naquele quarto.
Mas querer Sakura nunca tinha sido o problema.
Cerrei as mãos ao lado do corpo.
— Eu não vou tocar em você.
O sorriso dela desapareceu.
— Ótimo.
Sakura se virou tão depressa que os cabelos bateram em meu braço. Abriu a porta e saiu correndo.
Demorei um segundo para entender.
— Sakura!
Outro segundo.
Olhei para a porta aberta.
— PUTA QUE PARIU.
Corri atrás dela.
O silêncio do quarto desapareceu assim que atravessei a porta. A música abafada voltou a alcançar meus ouvidos, misturada às conversas baixas e ao som dos saltos de Sakura contra o piso do corredor.
Ela já estava alguns metros à frente.
— Sakura, volta aqui!
Ela olhou por cima do ombro.
E riu.
A desgraçada riu.
O cabelo preto balançou atrás dela enquanto continuava andando.
— Eu avisei!
— Não faz isso!
Ela virou novamente e acelerou.
Fui atrás.
— Sakura!
Um homem surgiu no corredor vindo da direção oposta.
Ela parou.
Eu também.
O sujeito diminuiu os passos ao perceber Sakura diante dele.
Meu estômago afundou.
— Nem pensa nisso.
Sakura virou o rosto para mim.
Depois olhou para ele.
O sorriso apareceu devagar.
Balancei a cabeça.
— Sakura, não.
Ela deu um passo na direção do homem.

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