O som do órgão soava como um réquiem, não uma marcha nupcial.
Olivia estava parada na entrada da igreja, as mãos envoltas em renda branca tremendo tanto que o buquê de orquídeas parecia pesar toneladas. Atrás dela, o murmúrio dos convidados era um ruído distante; à sua frente, o caminho até o altar se estendia como uma passarela para o cadafalso.
— Pronta? — seu pai sussurrou, apertando seu braço. A voz trazia aquele orgulho paterno que, ela mal sabia, seria a primeira coisa a ser estraçalhada naquele dia.
— Mais do que nunca — ela mentiu.
As portas de carvalho se abriram. A luz dourada da manhã atingiu o altar, revelando a poltrona vazia onde Ethan deveria estar. Onde ele tinha que estar.
O primeiro passo foi hesitante. O segundo, uma negação.
Ele está no banheiro, pensou. Esqueceu as alianças no carro. Está tendo um ataque de nervos.
Mas à medida que avançava pelo corredor, o silêncio da igreja começou a engolir a música. O padre consultava o relógio com uma sobrancelha arqueada. O organizador do casamento, antes impecável, sussurrava freneticamente no rádio com o rosto desprovido de cor.
E então o detalhe que estilhaçou tudo: Sophie, sua madrinha, sua confidente — a pessoa que deveria estar na primeira fila segurando seu lenço — não estava lá.
Um zumbido agudo começou a subir pelo ouvido de Olivia. O mundo ficou cinzento, as cores da decoração perdendo o brilho uma a uma. Quando o celular, escondido sob as dobras da saia, vibrou contra sua coxa, o tempo parou.
Ethan.
Ela abriu a mensagem com os dedos entorpecidos. Não havia introdução. Nenhuma desculpa polida.
"Não consigo. Eu amo outra pessoa. Sinto muito."
Abaixo, uma imagem carregou devagar — como se o próprio telefone hesitasse em mostrar.
Não foi a dor que a atingiu primeiro. Foi o vácuo. O estômago despencando no chão de pedra da igreja. Na tela: o aeroporto. Ethan sem o terno, com a mala na mão, beijando a testa de Sophie enquanto ela ria — o tipo de riso que Olivia achava que a amiga reservava só para ela.
Ela era o cenário de um filme que eles tinham acabado de cancelar.
Os murmúrios dos convidados se transformaram em estrondo. Um oceano de olhares — pena, choque, uma ou outra crueldade disfarçada de compaixão. Duzentas pessoas testemunhando a mulher mais ingênua da cidade, vestida de branco, sendo descartada como um rascunho mal feito.
Não houve grito. Não houve drama cinematográfico. Apenas a consciência gélida de que quatro anos de vida tinham sido apagados em uma conexão de internet.
Olivia virou-se. Caminhou de volta pelo corredor com os passos medidos que podia — nem rápidos demais, nem lentos demais. Não deu a ninguém o prazer de vê-la desmoronar. Empurrou as portas de carvalho com as duas mãos. Saiu para a luz do dia, que tinha a insolência de continuar bonita.
E ali, no degrau da igreja com o buquê ainda na mão e o vestido arrastando no cimento, jurou sobre as ruínas da própria dignidade que aquilo seria a última vez.
O último homem. A última traição. O último coração partido.
Fossos profundos. Muros altos. Ninguém mais entraria.
— Liv.
A voz chegou de longe, atravessando camadas.
— Liv.
Olivia piscou.
A cozinha voltou aos poucos — o cheiro de café, a luz cinzenta da janela, a toalha de mesa xadrez que Carmen se recusava a aposentar. Ofélia já havia ido embora. Miguel havia sumido provavelmente para o quarto. Só a avó estava ali, sentada do outro lado da mesa, observando-a com aqueles olhos que não precisavam perguntar para saber.
— Você foi embora de novo — disse Carmen.
Não era uma acusação. Era apenas uma constatação, dita com a calma de quem já viu a neta partir e voltar muitas vezes sem sair do lugar.
— Estava pensando — respondeu Olivia.
— Eu sei onde.
Olivia não negou. Olhou para o envelope com o currículo que ainda estava sobre a mesa — Ofélia havia esquecido de levar ou deixado de propósito, ela não tinha certeza. Passou o dedo pela borda do papel.
— Você acha que tenho alguma chance? — perguntou. — Numa empresa daquele tamanho.
Carmen ficou em silêncio por um momento. Girou a xícara entre os dedos, pensativa.
— Acho que você tem mais chance do que imagina e menos coragem do que precisa.


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