Entrar Via

Abandonada no altar, escolhida pelo CEO. romance Capítulo 5

Longe dali, onde as ruas largas cedem lugar a avenidas arborizadas e os muros crescem até a altura em que ninguém mais consegue ver o que há do outro lado, ficava a mansão da família King.

Era uma construção de três andares com fachada em pedra clara e janelas altas que de manhã pegavam o sol de um jeito que fazia a casa inteira parecer acesa por dentro. O jardim da frente era cuidado por um homem que vinha às terças e às sextas e nunca falava muito, e os jardins dos fundos tinham uma piscina de borda infinita, uma área de churrasqueira que raramente era usada pelos donos e uma alameda de palmeiras imperiais que o Sr. Álvaro havia mandado plantar quando a casa foi construída, vinte e dois anos atrás, porque achava que palmeiras transmitiam autoridade.

Às sete da manhã, quando a maior parte da cidade ainda estava esquentando o café, Elena King já havia descido os dois lances de escada, atravessado o corredor principal e empurrado a porta da cozinha com a mão espalmada — um gesto que ela fazia todo dia e que Rosa, a empregada, já reconhecia de longe pelo som dos passos no corredor de mármore.

Elena tinha cinquenta e três anos e a postura de quem nunca se permitiu encostar completamente no encosto de uma cadeira. O cabelo castanho-escuro, com fios brancos que ela não tingia porque dizia que branco em cabelo é distinção, estava preso num coque baixo e preciso. Ela usava um robe de seda cor de vinho e chinelos de salto baixo que faziam barulho no piso frio.

Rosa estava de costas, mexendo numa panela, quando a sentiu entrar.

— Bom dia, dona Elena.

— Bom dia, Rosa. — Elena foi direto ao fogão, levantou a tampa da frigideira e examinou os ovos com bacon. Estavam no ponto certo, a gema firme mas não ressecada, o bacon dourado sem queimar nas bordas. Ela assentiu imperceptivelmente. — Os ovos estão bem. O jornal do Sr. Álvaro já está na mesa?

— Já está, dona Elena. Dobrado do lado direito do prato, do jeito que ele gosta.

Elena foi até a sala de jantar, que era separada da cozinha por uma porta de correr de vidro fosco. A mesa comprida de carvalho tinha oito lugares, mas a família usava sempre só uma extremidade — os cinco lugares do lado da cabeceira, onde o Sr. Álvaro se sentava com o jornal e os filhos chegavam em ordem de acordo com o humor de cada manhã. O jornal estava dobrado como Rosa havia dito. Elena o abriu, verificou a data, fechou de volta.

Depois foi até a fruteira no aparador lateral. Uma tigela de cristal com manga fatiada, uva sem semente, alguns morangos e fatias de kiwi dispostas com cuidado. Alexander comia fruta de manhã havia anos, desde que o médico havia dito alguma coisa sobre antioxidantes numa consulta da qual ninguém mais se lembrava dos detalhes, só do resultado: tigela de fruta todo dia, sem falta.

— Está impecável, dona Elena — disse Rosa, que havia aparecido na porta sem fazer barulho.

— Está — concordou Elena. Não era elogio de volta, era constatação. Ela deu uma última volta pela sala com os olhos antes de se sentar na sua cadeira, a segunda à esquerda da cabeceira, e dobrar o guardanapo de linho no colo.

Os passos na escada começaram pouco depois.

O primeiro a descer foi Luiz, o filho do meio, trinta e um anos, cabelo sempre um pouco úmido porque ele tomava banho antes de dormir e de manhã e ninguém nunca havia entendido bem o porquê. Ele entrou na sala de jantar com o celular na mão e o paletó do terno pendurado no antebraço, ainda sem gravata.

— Bom dia, mãe. — Ele se inclinou, beijou a têmpora de Elena e se sentou.

— A gravata, Luiz.

— Estou colocando no carro.

— Você diz isso toda dia.

— E todo dia eu coloco no carro.

Elena o olhou por cima da xícara de café. Luiz sorriu com o canto da boca e virou o celular para baixo sobre a mesa, o que ela havia pedido que ele fizesse há anos e ele só fazia quando havia acabado de fazer alguma outra coisa que a irritava, como compensação.

O segundo a descer foi Alexander, o filho mais velho, trinta e quatro anos, terno cinza, cabelo escuro perfeitamente penteado. Ele desceu com Luz ao lado, a filha dele de dez anos, que usava o uniforme escolar e segurava uma mochila cor de laranja com uma expressão de quem ainda estava acordando.

— Bom dia — disse Alexander para a mesa em geral, e depois para a mãe especificamente: — Ela não quis comer lá em cima.

— Eu não tava com fome lá em cima — disse Luz. — Aqui embaixo eu fico com fome.

Elena abriu um sorriso que ela reservava quase exclusivamente para a neta. — Então senta aqui do lado da vovó.

Luz jogou a mochila numa cadeira e se sentou na seguinte, já de olho na tigela de frutas.

— Essas são minhas — disse Alexander, apontando para a tigela.

— Ela pode comer — disse Elena.

— Ela tem a dela lá em cima.

— Eu não quis comer lá em cima — repetiu Luz, com a paciência de quem já explicou uma vez e considera desnecessário mudar o argumento.

Capítulo Seis — A mesa dos King 1

Capítulo Seis — A mesa dos King 2

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Abandonada no altar, escolhida pelo CEO.